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06 novembro 2020
09 novembro 2016
O MUNDO FICOU MAIS PERIGOSO
Acordei e verifiquei que o mundo ficou mais perigoso. Desta vez a culpa não é das elites políticas americanas... desta vez a culpa é mesmo do Povo americano.
19 outubro 2011
Occupy Wall Street com apoiante surpresa...
O movimento Occupy Wall Street teve um apoiante inesperado no protesto global de 15 de Outubro: o sargento dos Marines Shamar Thomas. O militar estava numa rua de Nova Iorque quando viu a polícia bater em manifestantes, não gostou e puxou dos galões à frente de cerca de 30 agentes, que ficaram sem reacção. A cena ficou registada em vídeo e está a circular a grande velocidade pela Internet.
Notícia publicada no Jornal "O Público" de 18.10.2011
"Isto não é uma zona de guerra", grita Shamar Thomas, a um surpreendido grupo de agentes policiais. O vídeo – que foi publicado no YouTube no domingo e que, em dois dias, já foi visualizado quase meio milhão de vezes – não mostra o que motiva a reacção do marine. Apenas a sua ira crescente e a forma veemente como condena as acções violentas da polícia nova-iorquina.
"Estas pessoas não estão armadas. Magoá-las não vos fará mais duros", argumenta. "Se querem lutar, vão para o Iraque e para o Afeganistão. Deixam estas pessoas em paz. São cidadãos norte-americanos. Cidadãos norte-americanos! Cidadãos norte-americanos! Norte-americanos!"Shamar Thomas é, ele próprio, um veterano de guerra.
Com 24 anos de idade, foi destacado para o Iraque duas vezes, informa a legenda do vídeo. O militar corrobora de viva voz. E acrescenta: a mãe também esteve no Iraque; o pai foi mobilizado para o Afeganistão. A ligação da sua família às Forças Armadas vem, de resto, ainda mais de trás: o avô serviu no Vietname e o bisavô na Segunda Guerra Mundial.É este passado que faz o sargento sentir-se autorizado para afrontar os agentes.
"Parem de magoar estas pessoas. O que estão a fazer? Fui 14 meses para o Iraque pelo meu povo e vocês chegam aqui e magoam estas pessoas. Elas não têm armas. Elas não têm armas! Porque é que estão a magoá-las? Não faz sentido nenhum", insurge-se. "Como é que dormem à noite? Não há honra nisto. Não há honra nisto!""É inacreditável que estejam a fazer isto às pessoas", continua. "Que género de malucos magoam pessoas que não estão protegidas?"
E acaba com mais uma pergunta antes de se afastar, desta vez lançada aos agentes vestidos com equipamento anti-motim: "Porque é que andam [equipados] como se estivesse a passar uma guerra? Ninguém tem armas".
22 março 2010
Obama diz que norte-americanos "responderam à chamada da história"
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Barack Obama pôde finalmente gritar vitória. Ontem à noite, e passados vários meses de impasse, a maioria democrata da Câmara dos Representantes votou a favor da reforma da saúde, o principal cavalo de batalha do presidente norte-americano.
“Esta noite, depois de todos terem dito que não era possível, provámos que somos capazes de fazer grandes coisas e responder a grandes desafios. Respondemos à chamada da história e demonstrámos que o nosso governo funciona a favor de todos os americanos”, congratulou-se Barack Obama no final da votação, perto da meia-noite.
É a primeira vez em quatro décadas que a legislação do sistema de saúde norte-americano é totalmente revisto, depois de várias tentativas falhadas no passado (Harry Truman, John F. Kennedy, Gerald Ford, George H. Bush, Bill Clinton e George W. Bush).
A aprovação desta reforma permitirá garantir cobertura a 32 milhões de norte-americanos que actualmente não têm qualquer tipo de assistência. Assim, 95% da população norte-americana, com menos de 65 anos, ficará coberta por um sistema de saúde. Quanto aos mais velhos, esses já tinham direito a um sistema de saúde público (Medicare).
De forma a corrigir algumas distorções, esta reforma passará já a proibir que as companhias de seguros se recusem a cobrir uma pessoa doente. Mas só a partir de 2014 – quando entrar em vigor – serão aplicadas as várias medidas, como a atribuição de benefícios às empresas que garantam assistência aos seus trabalhadores, a ajuda às famílias mais modestas e a obrigação de todos os adultos terem um seguro de saúde.
“Não é uma reforma radical mas é uma grande reforma”, salientou o presidente norte-americano, depois de conhecidos os resultados da votação.
Eram apenas necessários 216 votos mas foram 219 os democratas que disseram sim à proposta de reforma redigida e votada pelo Senado no final de 2009, acrescentando-lhe várias emendas, de forma a harmonizar a legislação produzida em ambas as câmaras do Congresso com os requerimentos da Casa Branca.
“Não teríamos chegado aqui sem a extraordinária visão e liderança do Presidente Obama”, declarou Nancy Pelosi, que desempenhou um papel igualmente determinante na conciliação dos democratas. “Este voto é histórico. Estamos a juntar-nos à galeria das leis mais importantes para o progresso social dos Estados Unidos: a criação da Segurança Social [em 1935, por Franklin Roosevelt] e do Medicare [em 1965, por Lyndon Johnson]”, destacou.
Porém, estas "correcções" serão ainda enviadas ao Senado. Os republicanos terão já amanhã uma nova oportunidade para travar as medidas, embora seja difícil pois a votação será feita através de um processo de reconciliação, o que exige uma maioria simples de apenas 51 votos.
Os conservadores alegam que a maioria do Congresso actuou contra a vontade da população americana, que dizem estar contra esta lei. A nove de Março, de acordo com as sondagens divulgadas pelo “Gallup”, 48% dos norte-americanos não concordavam com a reforma, contra 45% de apoiantes.
A reforma da saúde terá um custo de 940 mil milhões de dólares em 10 anos que será pago através de poupanças com cortes e reajustes em programas federais e com recolha de novas receitas fiscais. O novo plano deverá reduzir o défice norte-americano em 138 mil milhões de dólares no mesmo período, segundo os números do Gabinete do Orçamento do Congresso (CBO).
“Esta noite, depois de todos terem dito que não era possível, provámos que somos capazes de fazer grandes coisas e responder a grandes desafios. Respondemos à chamada da história e demonstrámos que o nosso governo funciona a favor de todos os americanos”, congratulou-se Barack Obama no final da votação, perto da meia-noite.
É a primeira vez em quatro décadas que a legislação do sistema de saúde norte-americano é totalmente revisto, depois de várias tentativas falhadas no passado (Harry Truman, John F. Kennedy, Gerald Ford, George H. Bush, Bill Clinton e George W. Bush).
A aprovação desta reforma permitirá garantir cobertura a 32 milhões de norte-americanos que actualmente não têm qualquer tipo de assistência. Assim, 95% da população norte-americana, com menos de 65 anos, ficará coberta por um sistema de saúde. Quanto aos mais velhos, esses já tinham direito a um sistema de saúde público (Medicare).
De forma a corrigir algumas distorções, esta reforma passará já a proibir que as companhias de seguros se recusem a cobrir uma pessoa doente. Mas só a partir de 2014 – quando entrar em vigor – serão aplicadas as várias medidas, como a atribuição de benefícios às empresas que garantam assistência aos seus trabalhadores, a ajuda às famílias mais modestas e a obrigação de todos os adultos terem um seguro de saúde.
“Não é uma reforma radical mas é uma grande reforma”, salientou o presidente norte-americano, depois de conhecidos os resultados da votação.
Eram apenas necessários 216 votos mas foram 219 os democratas que disseram sim à proposta de reforma redigida e votada pelo Senado no final de 2009, acrescentando-lhe várias emendas, de forma a harmonizar a legislação produzida em ambas as câmaras do Congresso com os requerimentos da Casa Branca.
“Não teríamos chegado aqui sem a extraordinária visão e liderança do Presidente Obama”, declarou Nancy Pelosi, que desempenhou um papel igualmente determinante na conciliação dos democratas. “Este voto é histórico. Estamos a juntar-nos à galeria das leis mais importantes para o progresso social dos Estados Unidos: a criação da Segurança Social [em 1935, por Franklin Roosevelt] e do Medicare [em 1965, por Lyndon Johnson]”, destacou.
Porém, estas "correcções" serão ainda enviadas ao Senado. Os republicanos terão já amanhã uma nova oportunidade para travar as medidas, embora seja difícil pois a votação será feita através de um processo de reconciliação, o que exige uma maioria simples de apenas 51 votos.
Os conservadores alegam que a maioria do Congresso actuou contra a vontade da população americana, que dizem estar contra esta lei. A nove de Março, de acordo com as sondagens divulgadas pelo “Gallup”, 48% dos norte-americanos não concordavam com a reforma, contra 45% de apoiantes.
A reforma da saúde terá um custo de 940 mil milhões de dólares em 10 anos que será pago através de poupanças com cortes e reajustes em programas federais e com recolha de novas receitas fiscais. O novo plano deverá reduzir o défice norte-americano em 138 mil milhões de dólares no mesmo período, segundo os números do Gabinete do Orçamento do Congresso (CBO).
Notícia do Jornal de Negócios online
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03 dezembro 2009
Hoje vou dar em comentador... contra a violência de género.
Hoje vou comentar, numa iniciativa da UMAR - União de Mulheres Alternativa e Resposta, que decorrerá pelas 18 horas, no Colectivo Cultural Bacalhoeiro em Lisboa, o filme "North Country", que segundo as traduções feitas para Portugal, é "Terra Fria". Enfim... traduções.
O filme retrata a vida de Josey (Charlize Theron), trabalhadora de uma mina de ferro no norte do Minnesota, Estados Unidos da América, que sofre os efeitos da discriminação contra as mulheres e que não se resignando, leva aos tribunais o seu caso.
Um drama, que mostra a história do primeiro processo judicial por assédio sexual julgado nos EUA.
Um filme que aconselho vivamente.
O filme retrata a vida de Josey (Charlize Theron), trabalhadora de uma mina de ferro no norte do Minnesota, Estados Unidos da América, que sofre os efeitos da discriminação contra as mulheres e que não se resignando, leva aos tribunais o seu caso.
Um drama, que mostra a história do primeiro processo judicial por assédio sexual julgado nos EUA.
Um filme que aconselho vivamente.
23 janeiro 2009
Barack Obama - Discurso de Posse
Tomada de posse
Discurso de Barack Obama
20.01.2009
Meus caros cidadãos:
Aqui estou hoje, humilde perante a tarefa à nossa frente, grato pela confiança que depositaram em mim, consciente dos sacrifícios que os nossos antepassados enfrentaram. Agradeço ao Presidente Bush pelo seu serviço à nossa nação, assim como a generosidade e a cooperação que demonstrou durante esta transição.
Quarenta e quatro americanos fizeram até agora o juramento presidencial. Os discursos foram feitos durante vagas de crescente prosperidade e águas calmas de paz. No entanto, muitas vezes a tomada de posse ocorre no meio de nuvens espessas e furiosas tempestades. Nesses momentos, a América perseverou não só devido ao talento ou à visão dos que ocupavam altos cargos mas porque Nós o Povo permanecemos fiéis aos ideais dos nossos antepassados e aos nossos documentos fundadores.
Assim tem sido. E assim deve ser com esta geração de americanos.
Que estamos no meio de uma crise, já todos sabem. A nossa nação está em guerra, contra uma vasta rede de violência e ódio. A nossa economia está muito enfraquecida, consequência da ganância e irresponsabilidade de alguns, mas também nossa culpa colectiva por não tomarmos decisões difíceis e prepararmos a nação para uma nova era. Perderam-se casas; empregos foram extintos, negócios encerraram. O nosso sistema de saúde é muito oneroso; para muita gente as nossas escolas falharam; e cada dia traz-nos mais provas de que o modo como usamos a energia reforça os nossos adversários e ameaça o nosso planeta.
Estes são indicadores de crise, resultado de dados e de estatística. Menos mensurável mas não menos profunda é a perda de confiança na nossa terra - um medo incómodo de que o declínio da América é inevitável, e que a próxima geração deve baixar as expectativas.
Hoje eu digo-vos que os desafios que enfrentamos são reais. São sérios e são muitos. Não serão resolvidos facilmente nem num curto espaço de tempo. Mas fica a saber, América - eles serão resolvidos.
Neste dia, unimo-nos porque escolhemos a esperança e não o medo, a unidade de objectivo e não o conflito e a discórdia.
Neste dia, viemos para proclamar o fim dos ressentimentos mesquinhos e falsas promessas, as recriminações e dogmas gastos, que há tanto tempo estrangulam a nossa política.
Continuamos a ser uma nação jovem, mas nas palavras da Escritura, chegou a hora de pôr as infantilidades de lado. Chegou a hora de reafirmar o nosso espírito de resistência, de escolher o melhor da nossa história; de carregar em frente essa oferta preciosa, essa nobre ideia, passada de geração em geração; a promessa de Deus de que todos somos iguais, todos somos livres, e todos merecemos uma oportunidade de tentar obter a felicidade completa.
Ao reafirmar a grandeza da nossa nação, compreendemos que a grandeza nunca é um dado adquirido. Deve ser conquistada. A nossa viagem nunca foi feita de atalhos ou de aceitar o mínimo. Não tem sido o caminho dos que hesitam – dos que preferem o divertimento ao trabalho, ou que procuram apenas os prazeres da riqueza e da fama. Pelo contrário, tem sido o dos que correm riscos, os que agem, os que fazem as coisas – alguns reconhecidos mas, mais frequentemente, mulheres e homens desconhecidos no seu labor, que nos conduziram por um longo e acidentado caminho rumo à prosperidade e à liberdade.
Por nós, pegaram nos seus parcos bens e atravessaram oceanos em busca de uma nova vida.
Por nós, eles labutaram em condições de exploração e instalaram-se no Oeste; suportaram o golpe do chicote e lavraram a terra dura. Por nós, eles combateram e morreram, em lugares como Concord e Gettysburg; Normandia e Khe Sahn.
Tantas vezes estes homens e mulheres lutaram e se sacrificaram e trabalharam até as suas mãos ficarem ásperas para que pudéssemos viver uma vida melhor. Eles viram a América como maior do que a soma das nossas ambições individuais; maior do que todas as diferenças de nascimento ou riqueza ou facção.
Esta é a viagem que hoje continuamos. Permanecemos a nação mais poderosa e próspera na Terra. Os nossos trabalhadores não são menos produtivos do que eram quando a crise começou. As nossas mentes não são menos inventivas, os nossos produtos e serviços não são menos necessários do que eram na semana passada ou no mês passado ou no ano passado. A nossa capacidade não foi diminuída. Mas o nosso tempo de intransigência, de proteger interesses tacanhos e de adiar decisões desagradáveis – esse tempo seguramente que passou.
A partir de hoje, devemos levantar-nos, sacudir a poeira e começar a tarefa de refazer a América.
Para onde quer que olhamos, há trabalho paraa fazer. O estado da economia pede acção, corajosa e rápida, e nós vamos agir – não só para criar novos empregos mas para lançar novas bases de crescimento. Vamos construir estradas e pontes, redes eléctricas e linhas digitais que alimentam o nosso comércio e nos ligam uns aos outros.
Vamos recolocar a ciência no seu devido lugar e dominar as maravilhas da tecnologia para elevar a qualidade do serviço de saúde e diminuir o seu custo. Vamos domar o sol e os ventos e a terra para abastecer os nossos carros e pôr a funcionar as nossas fábricas. E vamos transformar as nossas escolas e universidades para satisfazer as exigências de uma nova era.
Podemos fazer tudo isto. E tudo isto iremos fazer. Há alguns que, agora, questionam a escala das nossas ambições – que sugerem que o nosso sistema não pode tolerar muitos planos grandiosos. As suas memórias são curtas. Esqueceram-se do que este país já fez; o que homens e mulheres livres podem fazer quando à imaginação se junta um objectivo comum, e à necessidade a coragem.
O que os cínicos não compreendem é que o chão se mexeu debaixo dos seus pés – que os imutáveis argumentos políticos que há tanto tempo nos consomem já não se aplicam. A pergunta que hoje fazemos não é se o nosso governo é demasiado grande ou demasiado pequeno, mas se funciona – se ajuda famílias a encontrar empregos com salários decentes, cuidados de saúde que possam pagar, pensões de reformas que sejam dignas. Onde a resposta for sim, tencionamos seguir em frente. Onde a resposta for não, programas chegarão ao fim.
E aqueles de nós que gerem os dólares do povo serão responsabilizados – para gastarem com sensatez, reformarem maus hábitos e conduzirem os nossos negócios à luz do dia – porque só então poderemos restaurar a confiança vital entre o povo e o seu governo.
Não se coloca sequer perante nós a questão se o mercado é uma força para o bem ou para o mal. O seu poder de gerar riqueza e de expandir a democracia não tem paralelo, mas esta crise lembrou-nos que sem um olhar vigilante o mercado pode ficar fora de controlo – e que uma nação não pode prosperar quando só favorece os prósperos. O sucesso da nossa economia sempre dependeu não só da dimensão do nosso Produto Interno Bruto, mas do alcance da nossa prosperidade; da nossa capacidade em oferecer oportunidades a todos – não por caridade, mas porque é o caminho mais seguro para o nosso bem comum.
Quanto à nossa defesa comum, rejeitamos como falsa a escolha entre a nossa segurança e os nossos ideais. Os nossos Pais Fundadores, face a perigos que mal conseguimos imaginar, redigiram uma carta para assegurar o estado de direito e os direitos humanos, uma carta que se expandiu com o sangue de gerações. Esses ideais ainda iluminam o mundo, e não vamos abdicar deles por oportunismo.
E por isso, aos outros povos e governos que nos estão a ver hoje, das grandes capitais à pequena aldeia onde o meu pai nasceu: saibam que a América é amiga de todas as nações e de todos os homens, mulheres e crianças que procuram um futuro de paz e dignidade, e que estamos prontos para liderar mais uma vez.
Recordem que as primeiras gerações enfrentaram o fascismo e o comunismo não só com mísseis e tanques mas com alianças sólidas e convicções fortes. Compreenderam que só o nosso poder não nos protege nem nos permite agir como mais nos agradar. Pelo contrário, sabiam que o nosso poder aumenta com o seu uso prudente; a nossa segurança emana da justeza da nossa causa, da força do nosso exemplo, das qualidades moderadas de humildade e contenção.
Nós somos os guardiões deste legado. Guiados por estes princípios uma vez mais, podemos enfrentar essas novas ameaças que exigem ainda maior esforço – ainda maior cooperação e compreensão entre nações. Vamos começar responsavelmente a deixar o Iraque para o seu povo, e a forjar uma paz arduamente conquistada no Afeganistão. Com velhos amigos e antigos inimigos, vamos trabalhar incansavelmente para diminuir a ameaça nuclear, e afastar o espectro do aquecimento do planeta.
Não vamos pedir desculpa pelo nosso modo de vida, nem vamos hesitar na sua defesa, e àqueles que querem realizar os seus objectivos pelo terror e assassínio de inocentes, dizemos agora que o nosso espírito é mais forte e não pode ser quebrado; não podem sobreviver-nos, e nós vamos derrotar-vos.
Porque nós sabemos que a nossa herança de diversidade é uma força, não uma fraqueza. Nós somos uma nação de cristãos e muçulmanos, judeus e hindus – e não crentes. Somos moldados por todas as línguas e culturas, vindas de todos os cantos desta Terra; e porque provámos o líquido amargo da guerra civil e da segregação, e emergimos desse capítulo sombrio mais fortes e mais unidos, não podemos deixar de acreditar que velhos ódios um dia passarão; que as linhas da tribo em breve se dissolverão; que à medida que o mundo se torna mais pequeno, a nossa humanidade comum deve revelar-se; e que a América deve desempenhar o seu papel em promover uma nova era de paz.
Ao mundo muçulmano, procuramos um novo caminho em frente, baseado na confiança mútua e no respeito mútuo. Aos líderes por todo o mundo que procuram semear o conflito, ou culpar o Ocidente pelos males da sua sociedade – saibam que o vosso povo vos julgará pelo que construírem, não pelo que destruírem. Aos que se agarram ao poder pela corrupção e engano e silenciamento dos dissidentes, saibam que estão no lado errado da história; mas que nós estenderemos a mão se estiverem dispostos a abrir o vosso punho fechado.
Aos povos das nações mais pobres, prometemos cooperar convosco para que os vossos campos floresçam e as vossas águas corram limpas; para dar alimento aos corpos famintos e aos espíritos sedentos de saber. E às nações, como a nossa, que gozam de relativa riqueza, dizemos que não podemos mais mostrar indiferença perante o sofrimento fora das nossas fronteiras; nem podemos consumir os recursos do mundo sem prestar atenção aos seus efeitos. Porque o mundo mudou, e devemos mudar com ele.
Ao olharmos para o caminho à nossa frente, lembremos com humilde gratidão os bravos americanos que, neste preciso momento, patrulham desertos longínquos e montanhas distantes. Eles têm alguma coisa para nos dizer hoje, tal como os heróis caídos em Arlington fazem ouvir a sua voz. Honramo-los não apenas porque são guardiões da nossa liberdade, mas porque incorporam o espírito de serviço; uma vontade de dar significado a algo maior do que eles próprios. E neste momento – um momento que definirá uma geração – é este espírito que deve habitar em todos nós. Porque, por mais que o governo possa e deva fazer, a nação assenta na fé e na determinação do povo americano.
É a generosidade de acomodar o desconhecido quando os diques rebentam, o altruísmo dos trabalhadores que preferem reduzir os seus horários a ver um amigo perder o emprego que nos revelam quem somos nas nossas horas mais sombrias. É a coragem do bombeiro ao entrar por uma escada cheia de fumo, mas também a disponibilidade dos pais para criar um filho, que acabará por selar o nosso destino.
Os nossos desafios podem ser novos. Os instrumentos com que os enfrentamos podem ser novos. Mas os valores de que depende o nosso sucesso – trabalho árduo e honestidade, coragem e fair play, tolerância e curiosidade, lealdade e patriotismo – estas coisas são antigas. Estas coisas são verdadeiras. Têm sido a força silenciosa do progresso ao longo da nossa história. O que é pedido, então, é o regresso a essas verdades.
O que nos é exigido agora é uma nova era de responsabilidade – um reconhecimento, da parte de cada americano, de que temos obrigações para connosco, com a nossa nação, e com o mundo, deveres que aceitamos com satisfação e não com má vontade, firmes no conhecimento de que nada satisfaz mais o espírito, nem define o nosso carácter, do que entregarmo-nos todos a uma tarefa difícil.
Este é o preço e a promessa da cidadania.
Esta é a fonte da nossa confiança – o conhecimento de que Deus nos chama para moldar um destino incerto.
Este é o significado da nossa liberdade e do nosso credo – é por isso que homens e mulheres e crianças de todas as raças e todas as religiões se podem juntar em celebração neste magnífico mall, e que um homem cujo pai há menos de 60 anos não podia ser atendido num restaurante local pode agora estar perante vós a fazer o mais sagrado juramento.
Por isso, marquemos este dia com a lembrança do quem somos e quão longe fomos. No ano do nascimento da América, no mais frio dos meses, um pequeno grupo de patriotas juntou-se à beira de ténues fogueiras nas margens de um rio gelado. A capital tinha sido abandonada. O inimigo avançava. A neve estava manchada de sangue. No momento em que o resultado da nossa revolução era incerto, o pai da nossa nação ordenou que estas palavras fossem lidas ao povo:
“Que o mundo que há-de vir saiba que... num Inverno rigoroso, quando nada excepto a esperança e a virtude podiam sobreviver... a cidade e o país, alarmados com um perigo comum, vieram para [o] enfrentar.”
América. Face aos nossos perigos comuns, neste Inverno das nossas dificuldades, lembremo-nos dessas palavras intemporais. Com esperança e virtude, enfrentemos uma vez mais as correntes geladas e suportemos as tempestades que vierem. Que seja dito aos filhos dos nossos filhos que quando fomos testados recusámos que esta viagem terminasse, que não recuámos nem vacilámos; e com os olhos fixos no horizonte e a graça de Deus sobre nós, levámos adiante a grande dádiva da liberdade e entregámo-la em segurança às futuras gerações.
05 novembro 2008
Barack Obama, Será Eleito Presidente?
À hora que vou deixar este post começam a ser contados os votos que ditarão qual vai ser o futuro Presidente dos Estados Unidos da América.
Uma ida às urnas inédita pela altíssima participação do eleitorado, de forma especial, o mais jovem que participam pela primeira vez.
Preferia que hoje estivesse a torcer por Hillary Clinton mas tal não é possível, graças a uma campanha fantástica que os dois fizeram a quando das primárias do Partido Democrata. Uma campanha aguerrida, que tenho a certeza ajudou a cimentar a estatura política de Barack Obama.
Não há dúvida que Barack Obama será um grande Presidente. E o mundo poderá assistir a mudanças importantes, com a influência de Obama.
Hoje, quando acordar, espero verificar que Barack Obama se tornou no 44.º Presidente dos Estados Unidos da América.
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