16 maio 2026

Os Lobos de Marvão: novo livro de Florival Lança apresentado em Marvão

 Intervenção de Fernando Gomes

16 de Maio de 2026 – 18:00 horas

Centro Cultural de Marvão

Boa tarde a todas e todos, obrigado pela vossa presença,

Uma saudação ao Presidente da Assembleia Municipal de Marvão e à Senhora Vereadora da Cultura, pela vossa presença nesta sessão.

Uma saudação ao editor da Gandaia, Reinaldo Ribeiro.

Quero agradecer ao Nuno Machado, Presidente da Direcção do Centro Cultural de Marvão e ao Gonçalo Monteiro, Presidente da Junta de Freguesia de Santa Maria de Marvão, por terem abraçado este nosso desafio para esta apresentação em Marvão. É de toda a justiça homenagearmos o Florival, até porque escolheu Marvão, há muitos anos, como território maior da sua escrita e cenário privilegiado de muitas das histórias que nos tem oferecido.

Falar do Florival Lança é falar de alguém que nunca separou a vida das convicções. Ex-comando, ex-operário e ex-sindicalista. Foi o que ele me mandou ontem por WhatsApp, como se a vida dele conseguisse ficar fechada nestas três dimensões.

Há pessoas que passam pelas organizações, pelos cargos ou pelos livros. O Florival passou por tudo isso, mas deixou sobretudo uma marca humana. E é isso que hoje importa lembrar.

O Florival vem do mundo do trabalho, da realidade dura e concreta de quem conheceu por dentro a condição operária. Foi metalúrgico, trabalhou na SOREFAME, viveu os tempos difíceis antes do 25 de Abril e pertence a uma geração que não aprendeu a palavra “solidariedade” nos livros, aprendeu-a na vida. Talvez por isso tenha levado sempre tão a sério o sindicalismo: não como uma carreira, porque o sindicalismo não é uma profissão, mas como compromisso com a luta da classe trabalhadora.

Depois da Revolução, dedicou décadas ao movimento sindical, particularmente na CGTP-IN, a nossa Confederação, onde teve responsabilidades importantes, nomeadamente na área das relações internacionais. Representou os trabalhadores portugueses em muitos espaços nacionais e internacionais, sempre com enorme cultura política-sindical, uma curiosidade intelectual rara e uma independência de pensamento que nunca escondeu.

E é precisamente essa independência que ajuda também a explicar alguns dos momentos mais difíceis do seu percurso. O Florival nunca foi homem de silêncio confortável. Quando defendeu que a CGTP devia aproximar-se da Confederação Sindical Internacional, fê-lo por convicção, acreditando que o sindicalismo português ganharia força e dimensão internacional.

Essa posição revelou coragem. E eu próprio testemunhei e apoiei essa posição enquanto dirigente da Corrente Sindical Socialista da CGTP-IN. A polémica que então se gerou acabaria por conduzir ao seu afastamento da direção da CGTP-IN, episódio que muitos conheceram e que o próprio Florival descreveu, de forma frontal, como um afastamento por “delito de opinião”.

Mas há uma coisa importante a dizer: o Florival nunca deixou que a amargura falasse mais alto. Continuou a pensar, a escrever, a intervir e, sobretudo, a olhar para o país real, o das pessoas anónimas, das fronteiras esquecidas, das memórias escondidas e das vidas duras que raramente entram nos livros de História.

E talvez tenha sido aí que começou uma segunda grande viagem da sua vida: a literatura.

Os seus livros são profundamente portugueses. Têm terra, têm memória, têm fronteira, têm luta e têm gente dentro. Não são livros escritos de longe; são livros escritos por alguém que conhece o peso da vida e a dignidade das pessoas.

Em O Mato Mata, encontramos já essa atenção ao humano e ao território. É um livro que nos fala também da guerra colonial e do ultramar. Confesso-vos que foi um livro que deixei a meio, até hoje, porque me trouxe memórias difíceis da infância e emoções que ainda não consegui arrumar totalmente. Como muitos sabem, o meu pai foi soldado no ultramar. E há livros que não lemos apenas com os olhos, lemos também com a memória.

Depois, em Marvão e Ammaia – o Paraíso Prometido, o Florival leva-nos para um universo onde a história, a herança islâmica, a paisagem e a ficção se cruzam com enorme sensibilidade. Há ali fascínio pela memória profunda da nossa terra, pela mistura de culturas e pelo passado escondido nas pedras e nas muralhas.

Mais tarde, em E da Fronteira se Fez Pão, talvez um dos seus livros mais emocionais, devolve voz às populações raianas, aos contrabandistas, às famílias pobres da fronteira e às estratégias de sobrevivência de quem viveu décadas entre a miséria e a coragem. O Florival escreve sobre essas pessoas com respeito, sem folclore, porque percebe que ali também existe uma forma de heroísmo.

E ao longo de todos estes livros há um fio comum: a defesa da dignidade humana. Seja no sindicalista, seja no escritor, encontramos sempre a mesma pessoa, alguém que nunca desistiu de acreditar que os homens e as mulheres comuns merecem ser vistos, escutados e lembrados.

Talvez essa seja a melhor maneira de apresentar o Florival: um homem livre. Livre nas ideias, livre na escrita, livre na amizade e livre na forma como viveu o seu percurso.

E num tempo em que tanta gente prefere o conforto da repetição, do seguidismo, isso continua a ser uma qualidade rara.

Obrigado, Florival, pelo teu exemplo, pela tua amizade e pela memória que continuas a construir, nas lutas destes tempos difíceis, amargos, para quem viveu antes do 25 Abril 74, mas também pelas palavras que nos deixas nos livros e na vida.

Agradeço a todas e todos pela presença e por partilharem connosco este momento, que para mim, mais do que a apresentação do novo livro é a homenagem a quem não sendo de Marvão, pelo amor que tem à nossa terra se tornou Marvanense.

Obrigado Florival!

Obrigado Paula!



14 maio 2026

Defender o Trabalho Digno, combater a precariedade e valorizar o sindicalismo (Ação Socialista n.º 1938 de 14.05.2026)

Por Fernando Gomes

A defesa dos direitos laborais, da contratação colectiva e da dignidade do trabalho é um eixo fundamental da nossa intervenção sindical e política.

O Partido Socialista não pode aceitar qualquer retrocesso que fragilize os trabalhadores, ataque a contratação colectiva, limite a actividade sindical ou ponha em causa as conquistas alcançadas com a Agenda do Trabalho Digno.

A proposta de pacote laboral “Trabalho XXI” apresentado pelo Governo PSD/CDS com o apoio do CHEGA e da Iniciativa Liberal representa uma tentativa clara de regressão nas relações laborais. Sob o argumento da “flexibilidade” e da “modernização”, pretende-se reequilibrar o poder nas empresas a favor do patronato, enfraquecendo direitos fundamentais conquistados ao longo de décadas de acção e luta da classe trabalhadora.

Trata-se de uma opção ideológica coerente com a visão neoliberal da direita e da extrema-direita: salários mais baixos, maior precariedade, menos protecção no trabalho, fragilização da negociação colectiva e desvalorização do papel dos sindicatos.

Ora, o Partido Socialista não pode alinhar, directa ou indirectamente, com esta estratégia. Pelo contrário: deve assumir-se como um garante político da defesa do Trabalho Digno, da valorização dos salários, da contratação colectiva e da liberdade sindical, reforçando a sua ligação ao mundo do trabalho e aos problemas concretos dos trabalhadores.

As conquistas alcançadas nos últimos anos pelos governos do Partido Socialista, nomeadamente no âmbito da Agenda do Trabalho Digno, constituíram avanços importantes no combate à precariedade, na regulação das plataformas digitais, no reforço dos direitos parentais, na limitação do abuso dos contratos precários e na protecção dos trabalhadores mais vulneráveis.

Mas é necessário ir mais longe, especialmente no combate à precariedade que afecta milhares de jovens trabalhadores. A instabilidade laboral, os vínculos precários, os baixos salários e a ausência de perspectivas de progressão nas carreiras estão a impedir muitos jovens de construírem um projecto de vida em Portugal.

Sem trabalho estável e salários dignos, torna-se impossível aceder ao crédito para compra de habitação, arrendar casa a preços comportáveis, constituir família ou planear o futuro com confiança.

A precariedade não é apenas um problema laboral; é uma verdadeira praga social que empurra muitos jovens qualificados para a emigração e alimenta sentimentos de frustração, insegurança e afastamento em relação à política e às instituições democráticas.

Por isso, o combate à precariedade deve assumir-se como uma grande prioridade sindical e política. Defender vínculos efectivos, salários justos, carreiras valorizadas e horários de trabalho compatíveis com a vida pessoal e familiar é defender o futuro do país.

É precisamente por isso que o ataque actual aos direitos dos trabalhadores assume uma dimensão tão grave: não se trata apenas de alterar normas laborais, mas de fragilizar o equilíbrio das relações de trabalho e enfraquecer os instrumentos colectivos de defesa dos trabalhadores.

Num momento em que a extrema-direita cresce alimentando-se da insegurança social e da degradação das condições de vida, seria um erro alinhar com políticas que visam o enfraquecimento dos direitos laborais, a degradação dos salários e a precarização das relações de trabalho. Quando os trabalhadores sentem que não conseguem melhorar a sua vida apesar de trabalharem todos os dias, cresce o descrédito e o ressentimento social.

A resposta política e sindical deve, por isso, ser clara e determinada:
- defender a revogação da caducidade das convenções colectivas;
- reforçar os direitos sindicais e o livre exercício da actividade sindical nas empresas;
- combater a precariedade, os falsos recibos verdes e o abuso da subcontratação;
- garantir trabalho com direitos para os jovens trabalhadores;
- valorizar os salários e promover uma mais justa repartição da riqueza;
- defender as 35 horas semanais sem perda de remuneração no horizonte de uma legislatura;
- proteger os trabalhadores das novas formas de exploração associadas às plataformas digitais;
- reforçar a ACT e a Justiça do Trabalho;
- aprofundar, e nunca recuar, nas conquistas da Agenda do Trabalho Digno.

Este combate exige sindicatos e confederações sindicais fortes, trabalhadores organizados e diálogo social efectivo. Exige também convergência sindical e capacidade de negociação colectiva, desde os locais de trabalho até à Concertação Social, na defesa de uma sociedade mais justa, assente na valorização do trabalho, na dignidade humana e na coesão social.

Reafirmamos que não pode haver qualquer retrocesso nos direitos conquistados democraticamente nem qualquer enfraquecimento dos direitos dos trabalhadores e das suas organizações representativas.

Defender o Trabalho Digno é defender Abril e os seus valores de liberdade, justiça social e dignidade humana.

Combater a precariedade é defender o futuro das novas gerações, o direito a uma vida estável, à habitação, à constituição de família e à permanência dos jovens em Portugal.

E valorizar um sindicalismo democrático, autónomo e representativo, assente na convergência sindical, é fortalecer a própria democracia e reforçar a capacidade colectiva de defesa e conquista de direitos.

Acção Socialista:

30 abril 2026

Convergência sindical: condição para uma grande Greve Geral (Acção Socialista n.º 1929 de 30.04.2026)

 Por Fernando Gomes


A acção sindical que defendemos assenta em princípios claros: a unidade dos trabalhadores, o respeito pelo pluralismo e a construção de convergências sindicais como condição essencial para alcançar resultados concretos. A história do movimento sindical português demonstra que foi pela convergência entre diferentes correntes e organizações que se conquistaram os maiores avanços sociais e laborais. É essa herança que devemos honrar e projectar no presente e no futuro.

A própria intervenção da Corrente Sindical Socialista da CGTP-IN tem sido inequívoca nesse sentido: a defesa da construção de convergências entre a CGTP-IN, a UGT e Sindicatos Independentes como orientação estratégica para reforçar a capacidade de luta dos trabalhadores.

Mas essa convergência, para ser consequente, tem de estar ao serviço de uma acção sindical eficaz. Hoje, essa acção exige uma resposta firme de combate ao pacote laboral e às políticas que continuam a degradar direitos, bloquear a contratação colectiva e limitar a acção sindical nas empresas. Como temos afirmado, não basta proclamar a luta: é necessário articulá-la com negociação séria, objectivos concretos e a construção de relações de força que permitam alcançar resultados.

É neste quadro que deve ser avaliada a decisão de avançar para uma greve geral. Uma greve geral só cumpre plenamente o seu papel quando é expressão de uma ampla mobilização sindical, social e política, quando é preparada com tempo, com envolvimento dos trabalhadores e, sobretudo, com convergência entre organizações sindicais.

A decisão tomada no Conselho Nacional da CGTP-IN, a 28 de Abril, ao avançar unilateralmente para a convocação de uma greve geral na primeira semana de Junho, sem articulação com a UGT e antes mesmo de concluído o processo de diálogo social em curso, não vai nesse sentido. Pelo contrário, fragiliza a possibilidade de alargar a mobilização e de construir uma resposta verdadeiramente abrangente dos trabalhadores contra uma legislação laboral que representa um enorme retrocesso social e uma capitulação do Governo, com o apoio do CHEGA e da Iniciativa Liberal, perante as confederações patronais.

Entendemos que teria sido mais adequado seguir outro caminho: promover o diálogo entre confederações sindicais e sindicatos independentes, aguardar pela reunião da Comissão Permanente de Concertação Social de 7 de Maio e trabalhar no sentido de uma convocatória convergente.

A força dos trabalhadores constrói-se através de uma acção sindical convergente. É esse o caminho que continuamos a defender: convergência, acção consequente e mobilização alargada para alcançar resultados concretos para a classe trabalhadora.

Apesar das divergências quanto ao processo seguido, nós, sindicalistas socialistas e independentes que desenvolvem a sua acção na CGTP-IN e nos seus sindicatos, tudo faremos para o sucesso da greve geral, porque o seu sucesso reforçará a classe trabalhadora na luta contra o pacote laboral. É com esse sentido de responsabilidade, de convergência na acção e de compromisso com os trabalhadores que nos empenharemos para que esta greve contribua para travar este retrocesso e afirmar os direitos de quem trabalha.
Fotografia CSS da CGTP-IN/Greve Geral 11.12.2025

Acção Socialista:

27 março 2026

O Governo está a matar a concertação social (Expresso Online de 26.03.2026)

A concertação social é um dos pilares fundamentais do regime democrático consagrado na Constituição da República Portuguesa. Não é um mero mecanismo consultivo ou decorativo: é um espaço institucional de diálogo, negociação e compromisso entre o Governo e os parceiros sociais, onde se devem construir, na área laboral, políticas públicas para o desenvolvimento económico e social do país.

O que hoje assistimos, com o afastamento da CGTP-IN das negociações sobre o pacote laboral, é um sinal preocupante de degradação desse modelo. Mais do que um conflito conjuntural, trata-se de um problema estrutural que levanta sérias dúvidas sobre o respeito do Governo pelo quadro constitucional e legal da concertação social.

A concertação social não é facultativa, é constitucional

O artigo 92.º da Constituição da República Portuguesa estabelece claramente a existência do Conselho Económico e Social (CES) como órgão de consulta e concertação no domínio das políticas económicas e sociais. A Comissão Permanente de Concertação Social (CPCS), que funciona junto do CES, é o espaço próprio para a negociação entre Governo, confederações sindicais e patronais.

A Lei n.º 108/91, que regula o CES, concretiza este mandato constitucional, atribuindo à CPCS competências claras no domínio do diálogo social, designadamente na discussão de políticas laborais, salários, condições de trabalho e legislação do trabalho.

Ou seja, a concertação social não é uma opção política do Governo do momento, é uma obrigação constitucional e legal. Ignorá-la, esvaziá-la ou instrumentalizá-la é, na prática, fragilizar a própria democracia.

Um Governo que simula diálogo, mas impõe decisões

O que está em causa não é apenas o afastamento da CGTP-IN, mas a forma como o Governo conduz o processo: apresenta propostas fechadas, limita o espaço negocial e, na prática, transforma a concertação social num ritual formal sem conteúdo.

Este comportamento contraria frontalmente o espírito e a letra da Constituição e da Lei. A concertação social exige negociação de boa-fé, abertura ao compromisso e respeito pelos parceiros sociais, independentemente das suas posições de partida.

Ao marginalizar a CGTP-IN, a maior e mais representativa Confederação sindical do país, que representa centenas de milhares de trabalhadores, o Governo não está apenas a excluir um interlocutor, está a deslegitimar o próprio processo de concertação.

Enfraquecer os sindicatos é enfraquecer a democracia

O ataque à concertação social não pode ser dissociado do conteúdo do pacote laboral. As propostas em discussão apontam, em muitos casos, para uma regressão de direitos, desvalorização da contratação colectiva e maior desequilíbrio nas relações laborais.

Como tem sido afirmado pela Corrente Sindical Socialista da CGTP-IN, o trabalho digno assenta em pilares inseparáveis: direitos no trabalho, emprego de qualidade, protecção social e diálogo social.

Quando se enfraquece o diálogo social, está-se a minar um desses pilares fundamentais. E quando se enfraquecem os sindicatos, abre-se caminho a uma maior precariedade, desigualdade e insegurança.

A morte lenta da concertação social

O que está em curso não é um episódio isolado, é um processo de erosão. Primeiro esvazia-se o conteúdo das negociações, depois desvaloriza-se o papel dos parceiros sociais e, por fim, transforma-se a concertação social numa formalidade irrelevante.

Este caminho conduz a uma conclusão clara: o Governo está a matar a concertação social.

E fá-lo não apenas por omissão, mas por opção política, ao privilegiar decisões unilaterais, ao reduzir o espaço de negociação e ao ignorar o pluralismo que caracteriza o movimento sindical português.

Defender a concertação social é defender a democracia

Perante este cenário, torna-se urgente reafirmar princípios fundamentais:

  • A concertação social deve ser respeitada como espaço real de negociação;
  • Todos os parceiros sociais devem ser envolvidos de forma efectiva;
  • O Governo deve agir de boa-fé e com abertura ao compromisso;
  • O diálogo social não pode ser substituído por imposições políticas.

A história do movimento sindical português demonstra que os maiores avanços sociais foram alcançados através da negociação colectiva e do diálogo social, nunca pela imposição.

Defender a concertação social é, por isso, defender a democracia, o Estado Social e os direitos dos trabalhadores.

Se o Governo persistir neste caminho, não estará apenas a romper com a CGTP-IN e os seus sindicatos, estará a romper com um dos pilares essenciais do regime democrático construído após o 25 de Abril.

Fui membro (suplente e efectivo) do Plenário do Conselho Económico e Social (CES) entre 01 de Outubro de 2004 e 19 Abril de 2024 e efectivo da sua Comissão Permanente de Concertação Social (CPCS) de 21 de Fevereiro de 2020 até 19 Abril de 2024.

Expresso Online:

https://expresso.pt/opiniao/2026-03-26-o-governo-esta-a-matar-a-concertacao-social-22ad6ce5