27 janeiro 2011

A minha intervenção na abertura da Sessão de apresentação do livro "Contributos para a história do movimento operário e sindical: das raízes até 1977"


CONTRIBUTOS PARA A HISTÓRIA DO MOVIMENTO OPERÁRIO E SINDICAL: DAS RAÍZES ATÉ 1977
SESSÃO DE LANÇAMENTO
MUSEU DA ELECTRICIDADE
27 Janeiro de 2011
18H00

NOTA DE ABERTURA

Esta obra foi idealizada, desde o início, em estreita ligação com o programa de actividades subjacente ao Projecto de Preservação, Organização e Valorização do Acervo Documental da CGTP-IN, em desenvolvimento desde Setembro de 2009. Deste programa destacamos não só a preservação e organização do arquivo fotográfico, das colecções de cartazes, sonora e audiovisual e da documentação textual, bem como, a criação de um fundo de testemunhos orais. Nesse sentido, a edição desta obra seria uma forma de valorizar todo este trabalho, na medida em que boa parte das fontes primárias utilizadas, pelos seus autores, têm origem neste arquivo.
Mais valorizado sairia, ainda, o resultado deste trabalho se esta obra fosse, como não poderia deixar de ser, pela sua natureza, associada ao programa comemorativo do 40.º aniversário desta Central, celebrado a 01 de Outubro de 2010.
A importância desta obra, que o Secretário-Geral da CGTP-IN irá apresentar, torna-se, nos dias de hoje, ainda mais importante, na medida em que poderá contribuir para a formação de uma nova geração de quadros sindicais. Saberemos para onde temos que caminhar, se soubermos de onde vimos.
Este livro contém duas vertentes essenciais: uma de teor mais historiográfico, outra de cunho mais pessoal e testemunhal, que inevitavelmente tinha que estar presente, dado que todos os seus autores viveram e foram protagonistas do período em questão, isto é, da fundação da Intersindical até ao ano de 1977. Portanto, pensamos, assim, com esta obra dirigirmo-nos a um público-alvo abrangente, desde o académico, obviamente aos dirigentes e funcionários sindicais, aos trabalhadores, aos que testemunharam aquele período e mesmo até aos mais jovens.

Para terminar, gostaríamos de agradecer:
Aos presentes por responderem positivamente ao nosso convite;
À Fundação EDP - Museu da Electricidade, por esta parceria para a apresentação do Livro.
À Formiga Amarela, Mário Rui;
À Comunicação social que ontem e hoje anteciparam este lançamento e aos que hoje aqui estão presentes;
À Fotolitaria: pela qualidade que sempre coloca nos seus trabalhos, polvilhada pelo esforço e sacrifício que, por vezes, há necessidade de empregar para cumprir os prazos apertados em que têm que realizar os nossos trabalhos;
À Dinalivro - Distribuidora Nacional de Livros, que fará a distribuição desta publicação;
Aos Autores, o empenho, a colaboração e a disponibilidade que sempre tiveram ao longo de todo o processo editorial, revelando o seu inabalável compromisso com o projecto Unitário que é a CGTP-IN.
Porque esta iniciativa se enquadra nas comemorações dos 40 anos da CGTP-IN, permitam-nos que aproveitemos este momento para saudar as trabalhadoras e os trabalhadores da CGTP-IN que ao longo destas 4 décadas contribuíram, e continuam a contribuir, para a sua construção;

Queremos também deixar uma saudação especial de respeito e admiração a todas e todos os dirigentes sindicais, que se empenharam e continuam a empenhar-se, com sacrifícios pessoais e familiares, mas que com firmeza, com convicção, lutaram para a melhoria das condições de vida das trabalhadoras e trabalhadores em Portugal e no mundo.
Hoje, mais do que nunca, é preciso valorizar e realçar os protagonistas do mundo do trabalho que lutaram e continuam a lutar, por uma sociedade mais justa e solidária.
Tal como esta obra revela, é preciso valorizar, ainda, o contributo histórico da Intersindical para  o fim da Ditadura e a construção da Democracia em Portugal.

Fernando Gomes
Comissão Executiva do CN da CGTP-IN
Cultura e Tempos Livres
Centro de Arquivo e Documentação
 
 

25 janeiro 2011

APRESENTAÇÃO DO LIVRO “CONTRIBUTOS PARA A HISTÓRIA DO MOVIMENTO OPERÁRIO E SINDICAL: DAS RAÍZES ATÉ 1977”


No âmbito das comemorações do seu 40.º aniversário, a Confederação Geral dos Trabalhadores Portugueses – Intersindical Nacional (CGTP-IN), editou o primeiro volume da obra intitulada Contributos para a História do Movimento Operário e Sindical: das raízes até 1977.

Este primeiro volume encontra-se dividido em quatro partes.

A primeira, da autoria de Francisco Canais Rocha, ex-dirigente sindical, primeiro coordenador da INTERSINDICAL, logo após o 25 de Abril, e historiador, aborda, num esforço de síntese, os antecedentes do movimento sindical, balizando o seu texto entre a primeira metade do século XIX (1838), época em que surgem as primeiras sociedades mutualistas, e 1970, ou seja, até às vésperas da convocatória para a primeira reunião intersindical, que se realizaria a 11 de Outubro desse ano.

A segunda, da autoria de Daniel Cabrita, José Ernesto Cartaxo e Victor Ranita, analisa o período de formação da Intersindical, passando pela fase de semiclandestinidade até ao 25 de Abril.

A terceira parte desenvolve-se até 1977, contemplando a actuação da Inter no período revolucionário, bem como, no plano interno, os seus dois primeiros congressos, realizados em 1975 e 1977 e as questões da unidade/unicidade sindical.

A quarta e última parte reúne dois textos de Kalidás Barreto e Emídio Martins, apresentando-nos duas perspectivas, dois testemunhos, um socialista, outro católico, da sua experiência sindical nestes primeiros sete anos de existência desta Central Sindical.

As três últimas partes assumem um carácter diverso. Embora o recurso às fontes arquivísticas e bibliográficas não seja descurado, o registo historiográfico da primeira parte cede um pouco ao registo testemunhal, dado que os seus autores, também eles antigos dirigentes sindicais, desempenharam um papel de relevo na Intersindical e no movimento sindical, em geral, no período que vai de 1970 a 1977. Ao mesmo tempo que interpretam as fontes, inevitavelmente acabaram por deixar expresso, também, o testemunho de quem viveu por dentro a forma como a Intersindical se foi posicionando, intervindo e evoluindo naquele período. Neste sentido, esta obra é, igualmente, pensamos, uma óptima fonte de estudo para a história recente do movimento operário e sindical, mas também para a história contemporânea do nosso país.

A sessão de apresentação do livro, decorrerá no próximo dia 27 de Janeiro, às 18h00, no Museu da Electricidade, em Lisboa, para o qual convido todos os interessados.


18 janeiro 2011

Vamos a 23 de Janeiro votar, votem na sondagem do blogue... Votem em Manuel Alegre.


Quando estamos a poucos dias da realização da primeira volta das eleições Presidenciais, desafio todas e todos os/as visitantes do blogue a exercerem o seu direito de voto aqui no Percursos, na sondagem que está na barra da direita.

É do conhecimento de todos e todas os/as que habitualmente por aqui passam, que apoio Manuel Alegre. O momento que vivemos, de ataque aos direitos dos trabalhadores e trabalhadoras, exige de nós uma posição clara contra a direita, contra o seu candidato, Cavaco Silva. A vitória de Cavaco Silva e a possível conjugação com um futuro governo do PSD/CDS, torna necessário um voto maioritário nos candidatos à esquerda, em particular, em Manuel Alegre.

O papel desempenhado por Manuel Alegre na luta contra a ditadura, a favor da consolidação da Democracia e mais recentemente, na luta contra as políticas chamadas "de direita" que colocam o Estado Social em causa, são garantia de um desempenho Presidencial, que terá em conta os direitos e interesses das camadas da população que neste momento estão mais vulneráveis.

É preciso agir. Votar. Não deixemos nas mãos dos outros o nosso futuro.

Votem em Manuel Alegre!


11 janeiro 2011

Em defesa do Ramal de Cáceres


No sentido de combater a intenção da CP de encerrar o Ramal de Cáceres, a linha de comboio que tem ligação a Madrid e que passa na Beirã, Concelho de Marvão, convido-vos, a todos e todas, a assinar a petição pública que consta no seguinte endereço:


O interior cada vez mais isolado, desertificado, levará Portugal para desequilíbrios inaceitáveis. Não podemos permitir que isso aconteça. As populações do interior merecem as mesmas condições de vida que as do litoral.

Vamos então, todos e todas, assinar...


06 janeiro 2011

Posição da CGTP-IN face às eleições Presidenciais


POSIÇÃO DA CGTP-IN FACE ÀS ELEIÇÕES PRESIDENCIAIS
VOTAR POR UM PORTUGAL MAIS DEMOCRÁTICO JUSTO E SOBERANO

As eleições presidenciais de 23 de Janeiro realizam-se num contexto em que impera o neo-liberalismo na UE e onde o Governo do PS, com o apoio da direita, impõe à generalidade dos trabalhadores e à maioria esmagadora do povo português, cada vez mais sacrifícios, ao mesmo tempo que favorece os interesses do poder económico e financeiro.

Estas eleições devem ser encaradas com grande atenção e elevado sentido de responsabilidade por todos, porque, não obstante o PR não ter funções executivas, tem poderes que podem influenciar e determinar a defesa dos interesses da generalidade da população da independência e soberania do país.

Enquadrando as questões fundamentais do debate das presidenciais, com os temas centrais da intensa acção e luta sindical a desenvolver em Janeiro, torna-se indispensável o empenhamento do Movimento Sindical no esclarecimento e mobilização dos trabalhadores e trabalhadoras para o voto, centrado na denúncia das causas e dos responsáveis pelos bloqueios e injustiças em que o país vive. A exigência de uma mudança de rumo, passa pela valorização e apoio a candidaturas sem compromissos com essas políticas desastrosas, que afirmem o empenho sincero na defesa e na afirmação das reivindicações e dos justos anseios dos trabalhadores e da esmagadora maioria dos portugueses, cumprindo e fazendo cumprir a Constituição da República Portuguesa.

O actual Presidente da República, cujas responsabilidades nos bloqueios em que se encontra o país são grandes é, de novo, o candidato de toda a direita e procura a reeleição sem debate e sem confronto de projectos, para assim evitar que os portugueses tomem plena consciência da dimensão e gravidade da situação em que nos encontramos e das suas fortíssimas responsabilidades.

Cavaco Silva, por defender um Orçamento de Estado que é mau para o País e para os portugueses quando apela a que os “sacrifícios sejam justamente distribuídos por todos” faz um mero exercício de retórica, com grande dose de cinismo pois está a apoiar e impulsionar a aplicação de políticas que geram desemprego, que empobrecem os trabalhadores e a população, que sacrificam os mais desprotegidos em benefício dos grandes accionistas dos grupos económicos e financeiros, de uma burguesia e de um centrão de interesses que, com cheiros de corrupção, se instalou no poder político e económico e se vai apropriando da riqueza que é de todos. Por isso nada disse quando as grandes empresas anteciparam para 2010 a distribuição dos lucros pelos accionistas, para não pagarem impostos em 2011.

O candidato Cavaco Silva representa uma perigosa perspectiva, profundamente conservadora, para o futuro dos portugueses e do país em geral, e dos trabalhadores em particular.

Por um lado afirma que não se deve mexer na legislação laboral e que defende o Estado Social, mas por outro tem promulgado diplomas que visam a sua destruição e cala-se perante uma revisão profunda das condições das relações laborais que está em curso com a chamada “Iniciativa para a Competitividade e o Emprego” apresentada pelo Governo. Finge não perceber a intenção de despedir mais facilmente, de desregular e flexibilizar o mercado de trabalho violentamente, de diminuir a retribuição do trabalho e fragilizando a força negocial dos trabalhadores afastando os sindicatos da contratação colectiva das empresas que aquela Resolução do Conselho de Ministros comporta. Entretanto nada diz quando os seus apoiantes, designadamente o PSD, assumem que a sua reeleição é indispensável para aplicarem projectos políticos que, a serem concretizados, estilhaçarão o Estado Social.

Neste sentido, pela acção que vem desenvolvendo e pelo teor fundamental do seu discurso, enquanto candidato, Cavaco Silva é hoje o maior animador do velho e reaccionário projecto da “indústria da pobreza”. Partindo da exploração de sentimentos de resposta individual à pobreza, a partir de acções caritativas, evita uma abordagem e um combate sérios às causas deste flagelo.

Em Portugal caminha-se perigosamente para a destruição do Estado Social, nomeadamente do Serviço Nacional de Saúde e do carácter solidário e universal do sistema de protecção social (e do sistema de Segurança Social). Invocando que há sempre alguém que tem menos, corta-se nos direitos e nas condições de quem também vive mal e já pouco tem. É isso que Cavaco Silva tem ajudado a fazer.

Em democracia, uma eleição para a Presidência da República exige que os cidadãos e os trabalhadores em particular tomem plena consciência do processo e possam analisar os problemas com que o país se confronta. Por essa razão, exige a apresentação de propostas concretas pelos candidatos, projectos e ideias claras para debate, identificação objectiva de compromissos, transparência e rigor no que cada candidatura propõe para a resolução dos problemas de quem trabalha, para um melhor nível de vida das pessoas, para o funcionamento democrático das organizações e instituições, para o combate à corrupção, para uma justa distribuição da riqueza, pela defesa e dinamização do sector produtivo, para o desenvolvimento de Portugal.

Tais objectivos impõem a ruptura com as actuais políticas e uma atitude exigente de acção pela mudança e por profundas transformações sociais e políticas num projecto político devidamente ancorado e fundamentado nos compromissos enunciados.

Tomando por base os seus justos anseios, aspirações e reivindicações, interessa aos trabalhadores e trabalhadoras portuguesas participarem nestas eleições presidenciais e usarem de forma coerente e eficaz o seu voto, fazendo eleger um Presidente da República que se bata por uma efectiva mudança de rumo do país, em sintonia com o texto constitucional.

É preciso que a indignação e o descontentamento de quem trabalha se manifeste pelo voto na defesa dos seus interesses e não pela abstenção que só beneficia as políticas de direita e os responsáveis pela situação em que o país se encontra.

A CGTP-IN exorta os trabalhadores e trabalhadoras a participarem activamente neste acto eleitoral associando ao voto o sentido da luta e do apoio às candidaturas que assegurem a concretização dos direitos, liberdades e garantias constitucionais, como o direito ao trabalho com direitos, a uma justa distribuição da riqueza, contra a pobreza e as desigualdades, a defesa e reforço das políticas sociais públicas que garantam o direito universal à saúde, ao ensino, à segurança social, à justiça.

Com esperança e confiança, com a força do nosso voto, vamos todos contribuir para a construção de um Portugal democrático, mais justo, solidário, independente e soberano.