03 julho 2013

Ilustração de Alex Gozblau

Palavras para quê? Está simplesmente genial...
Autor: Alex Gozblau

PELA DEMISSÃO DO GOVERNO, A 6 DE JULHO, TODOS A BELÉM

A Greve Geral constituiu uma jornada de luta vitoriosa e de excepcional importância. Convocada pela CGTP-IN com o objectivo expressamente declarado de exigir a demissão do Governo do PSD/CDS-PP, a Greve Geral já teve consequências no plano do desgaste e aprofundamento das contradições internas no seio dos partidos que suportam o Governo, levando, até ao momento em que se realiza este Conselho Nacional, à demissão de Vítor Gaspar e Paulo Portas.

Apesar de realizada num quadro de crescente agravamento da exploração e empobrecimento, de fortes condicionalismos económicos e de constrangimentos de direitos e liberdades fundamentais, os trabalhadores e trabalhadoras apoiaram e aderiram massivamente ao apelo da CGTP-IN e afirmaram de forma inequívoca a exigência de uma ruptura com o programa de agressão e a política de direita e a realização de eleições antecipadas, dando a oportunidade aos trabalhadores e ao povo de, pelo seu voto, abrir caminho a uma real alternativa politica, de Esquerda e Soberana.

A ampla unidade na acção construída nos locais de trabalho, a par de uma firme determinação e confiança dos trabalhadores na luta, como principal caminho para defender os seus direitos e condições de trabalho e garantir um futuro melhor, constituíram elementos decisivos para o êxito desta Greve Geral.

Uma Greve Geral marcada pela defesa dos direitos e da dignidade dos trabalhadores, a elevação da sua consciência social e a solidariedade intergeracional, traduzida pela grande participação dos jovens na construção da greve e nos piquetes, por um futuro melhor para as novas gerações.

Uma Greve Geral, cujo impacto extraordinário não pode estar desligado das lutas desenvolvidas nos mais diversos sectores, nomeadamente as mais recentes realizadas pelos trabalhadores dos Correios, dos Transportes, dos Enfermeiros e dos Professores que, neste último caso, forçaram o Governo a importantes recuos, alcançando vitorias que abrem caminho ao reforço da luta pelas Escola Pública.

A Greve Geral teve uma forte adesão nos locais de trabalho dos sectores privado, público e empresarial do Estado, em todo o país, desde a paralisação de empresas e sectores industriais ao encerramento da generalidade dos portos marítimos e paragem das lotas e frotas de pesca; da paralisação praticamente total dos sectores ferroviário, fluvial e metropolitano até às elevadíssimas adesões alcançadas nos transportes aéreos, rodoviários urbanos e outros transportes privados de passageiros e comunicações; da elevada participação da administração pública nos hospitais, centros de saúde, segurança social, nos sectores da educação, ensino e investigação, justiça e finanças, nas autarquias e serviços municipalizados; das perturbações nos serviços em grandes superfícies comerciais, na hotelaria e cantinas, passando pelo sector financeiro, nas IPSS e Misericórdias; no impacto que teve no encerramento de consulados no estrangeiro, na comunicação social e no sector das artes e do espectáculo, entre muitos outros.

Para além da denuncia e contestação da política de direita, a firmeza e combatividade dos trabalhadores rompeu com bloqueios patronais e obrigou várias empresas de diferentes sectores de actividade a responder positivamente ás reivindicações sindicais, pela melhoria dos salários e das condições de vida e de trabalho.  

O Conselho Nacional da CGTP-IN saúda as centenas de milhares de trabalhadores com vínculos precários, designadamente jovens e todos quantos, de norte a sul de Portugal e também nas Regiões Autónomas dos Açores e da Madeira, realizaram a Greve Geral, estando sujeitos a uma brutal exploração, à repressão e a múltiplas arbitrariedades do patronato e do Governo, dando mais uma poderosa demonstração de força, determinação e confiança na luta em defesa dos seus direitos e interesses, contra o memorando da tróica que agride os portugueses e humilha o país, por um Portugal Soberano, de Justiça e de Progresso Social.  

O Conselho Nacional saúda, igualmente, todos os que participaram nas concentrações e manifestações convocadas pela CGTP-IN para o dia 27 de Junho, incluindo os trabalhadores desempregados, os jovens, os reformados e outras camadas da população que, estando a ser violentamente atacados nos seus direitos e condições de vida, deram expressão de rua à Greve Geral, fazendo ecoar os seus protestos em todo o país.

O Conselho Nacional saúda, também, os milhares de dirigentes e activistas sindicais que, com grande empenho, coragem, abnegação e uma forte solidariedade, reforçaram a unidade na acção, construída a partir dos locais de trabalho, estendendo a saudação a todos quantos participaram nos piquetes de greve, porque todos eles contribuíram decisivamente para o êxito da Greve Geral.


Estamos perante um Governo que, em dois anos, impôs pesados sacrifícios aos trabalhadores e ao povo, agravando a exploração e o empobrecimento, ao mesmo tempo que desenvolveu uma política caracterizada pela destruição da capacidade produtiva e alienação de recursos nacionais, pela concentração da riqueza e comprometida com os interesses dos grupos económicos e financeiros nacionais e estrangeiros, os quais ampliaram ainda mais as suas taxas de lucro. Dois anos em que este Governo destruiu centenas de milhar de postos de trabalho, elevando o desemprego para mais de 1,5 milhões de pessoas, em que eliminou dias de férias e feriados, em que os trabalhadores e reformados foram roubados e obrigados a pagar as consequências dos inúmeros casos de corrupção que geraram fortes prejuízos ao erário público, como aconteceu com os processos especulativos do BPN e outros Bancos, bem como inúmeros negócios ruinosos, a privatização de empresas, as parcerias público privadas (PPP) ou os contratos de gestão de risco financeiro (SWAP).

Portugal, os trabalhadores e o povo não podem continuar subjugados a um Governo em alta rota de colisão com o quadro constitucional. No actual contexto, este Governo não tem legitimidade nem credibilidade politica para avançar com medidas legislativas em curso que agravam as condições de vida e de trabalho, nem com novos pacotes de austeridade que visam atacar os direitos dos trabalhadores da Administração Pública, do sector empresarial do Estado e do sector privado, mais uma vez com o objectivo central de desequilibrar as relações de trabalho a favor do patronato: com a redução dos salários, das pensões e dos subsídios; mais despedimentos e menos indemnizações; aumento do horário de trabalho; mais cortes na Educação, Saúde e Segurança Social; com a denominada “Reforma do Estado”; com o agravamento da carga fiscal e do custo de vida para os trabalhadores, os reformados e pensionistas e as famílias em geral, tornando impossível a concretização de uma vida digna para a generalidade dos que vivem e trabalham em Portugal.

O Governo PSD/CDS-PP está moribundo, corre contra o tempo e apenas encontra suporte no seu indefectível apoiante, o Presidente da República que, agindo em desprezo pela Constituição da República Portuguesa, afirma-se como cúmplice activo de uma política que está a destruir os direitos de quem trabalha e, ao mesmo tempo, destrói também económica e socialmente o país.

O Conselho Nacional considera que a situação de desastre económico e social do país não se ultrapassa com a alteração de ministros, mas sim com uma mudança de política. Não é com remendos, que mais não visam que dar cobertura à política neoliberal, que os problemas se resolvem. O futuro do país passa pela ruptura com a política de direita e o memorando da tróica e por uma política alternativa, de esquerda e soberana que assegure a dinamização do sector produtivo, a criação de trabalho com direitos, a melhoria dos salários e das pensões, a defesa dos serviços públicos e das funções sociais do Estado e da Soberania do País enquanto elementos fundamentais para o bem-estar e qualidade de vida dos que vivem e trabalham em Portugal, a coesão social e o desenvolvimento.

O Conselho Nacional reclama que o Presidente da República ponha fim ao pesadelo que o Governo PSD\CDS constitui para os portugueses e convoque eleições imediatamente para devolver ao povo o poder soberano de decidir sobre seu o futuro. É urgente intensificar a luta e pôr este Governo na rua.

Revelando um profundo desprezo pela vontade do povo, o Primeiro-Ministro, Passos Coelho, afirma que não se demite. Obviamente, os trabalhadores e o povo demitirão este Governo que está a mais no Portugal Democrático, no País de Abril.

O Conselho Nacional, reunido em 3 de Julho decide:

Exortar ao alargamento e convergência da acção e da luta das massas trabalhadores
e populares, para que participem com grande força, determinação e confiança nas acções que vierem a ser definidas pela CGTP-IN, na certeza de que esse será o caminho certo para derrotar definitivamente o actual Governo e a sua política, contribuindo para a construção da alternativa política, de Esquerda e Soberana que é necessária e urgente;

Prosseguir e criar novas dinâmicas para o reforço da organização sindical de base, articulando a acção sindical nos locais de trabalho pelo aumento dos salários e a resolução dos problemas, com o aumento da sindicalização, a eleição de delegados sindicais e de representantes dos trabalhadores para a segurança e saúde no trabalho;

Convocar para o próximo sábado, dia 6 de Julho, às 15:00 horas, uma grande Concentração em Belém, apelando a todos os trabalhadores e à população para que, mais uma vez, exijam a uma só voz ao Presidente da República que assuma os seus deveres constitucionais, interrompendo com urgência o rumo de Portugal para o abismo económico e social, demitindo o Governo, dissolvendo a Assembleia da República e convocando eleições antecipadas.

O Conselho Nacional reafirma que está nas mãos dos trabalhadores e do povo a possibilidade real de derrotar o governo, a política de direita e de abrir o caminho de desenvolvimento e soberania, vinculado aos valores de Abril de que Portugal precisa.

02 julho 2013

The Gift - Primavera

Há muito que andava para partilhar este tema dos Gift, que adoro, e que ouço tantas vezes quando conduzo... 

Aqui fica!

29 junho 2013

Maruam organiza passeio à Praia Fluvial do Mato em Castelo de Bode

A Maruam - Associação de Jovens está a organizar um passeio à Praia Fluvial da Aldeia do Mato (Castelo de Bode) para o próximo dia 6 de Julho.
O dia vai ser preenchido com uma caminhada matinal, seguida de um piquenique junto ao rio e a parte da tarde será ocupada na piscina fluvial onde irão estar à disponibilidade canoas e bóias rebocadas por mota de água para quem estiver interessado.
Inscreve-te até dia 1 de Julho.

27 junho 2013

37 horas depois da maratona da greve geral vou dormir

Passadas que estão 37 horas após me ter levantado para a maratona da greve geral, vou dormir, que o corpo começa a pedir cama.

As fotos e vídeos serão publicados nos próximos dias.

Ao longo do país são milhares de activistas, delegados e dirigentes sindicais, que participando nos piquetes de greve passam horas sem ir à cama. É duro! Mas podemos ter a certeza que hoje se viveu uma grande greve geral.

Uma palavra especial aos trabalhadores e trabalhadoras que, sendo vitimas de perseguição, ameaças, com salários baixos e em condições precárias, são os heróis do dia que contra tudo fizeram esta greve geral.

Uma greve geral convergente entre a CGTP-IN e a UGT, por todos nós, por Portugal.

26 junho 2013

A volta da CGTP-IN pela greve geral

A volta da delegação da CGTP-IN que integra o Secretário-Geral, Arménio Carlos, Fernando Gomes, José Augusto Oliveira, Américo Monteiro Oliveira e Manuel Guerreiro, visitando várias empresas com início ao fim da tarde de hoje e a finalizar amanhã depois da concentração do Rossio e respectivo desfile para a Assembleia da República.

Dia 26 de JUNHO

19H45
BOMBEIROS SAPADORES DE LISBOA (Companhia de Intervenção Especial – Chelas, Lisboa)
21H00

PORTO DE LISBOA (Alcântara, na Liscont)
21H45
C.M.LISBOA – RECOLHA DE RESÍDUOS SÓLIDOS (Olivais, Lisboa)
22H40
CP LISBOA (Rossio, Lisboa)
23H30
METROPOLITANO DE LISBOA (Rua Sidónio Pais, Lisboa)


DIA 27 DE JUNHO (Madrugada)

00H30
Hospital SÃO JOSÉ (Lisboa)
01H15
VALORSUL – CENTRAL DE TRATAMENTO DE RESÍDUOS SÓLIDOS URBANOS (São João da Talha)

02H00
CENTRALCER (Estrada da Alfarrobeira, Vialonga)


DIA 27 DE JUNHO (Manhã)

07H00
PARQUE DA AUTO-EUROPA (Parque Industrial de Palmela)
07H45
LISNAVE (Mitrena, Setúbal)
09H00
SMTCB – TRANSPORTES COLECTIVOS DO BARREIRO
10H00
CONCENTRAÇÃO / DESFILE – SETÚBAL
15:00
CONCENTRAÇÃO / DESFILE – LISBOA

EM REUNIÃO DO CONSELHO ADMINISTRAÇÃO DO IEFP

Na reunião mensal do Conselho de Administração do Instituto de Emprego e Formação Profissional (IEFP) onde agora se discute a informação sobre o mercado de emprego e o flagelo do desemprego.
 
Em Maio o desemprego registado voltou a aumentar face ao ano anterior, sendo de 703.205 desempregados a nível nacional, mais 9,7% que no mês homólogo. Houve uma diminuição de 3,5% face a Março, mas não parece consistente (razões deverão ser: o aumento dos desempregados abrangidos em medidas de emprego e formação, mas também o não haver incentivo à inscrição no centro de emprego e a emigração).
 
De facto, se os 106.983 ocupados em medidas de emprego e formação fossem considerados desempregados pelo IEFP, o desemprego registado saltaria para 810.188 pessoas, número ainda assim menor que o apurado pelo INE no 1º trimestre do ano (mais de 952 mil desempregados).
 
O IEFP recorre cada vez mais a estas medidas, sem que o desemprego baixe. No espaço de um ano o número de ocupados aumentou 55,5% a nível nacional, ou seja, mais 34.186).
 
No continente o número de ocupados foi de 102.328 (mais 53,5% que há um ano). A maioria frequenta formação profissional, 51% no IEFP e 12% fora do instituto. Segue-se o trabalho socialmente necessário (25,8% do total) e os Estágios Profissionais (11,3%).
 
Relativamente ao mesmo mês do ano passado, o aumento mais significativo verificou-se na formação profissional, seguindo-se os Estágios e por fim o trabalho socialmente necessário. Refira-se a propósito que o facto de o IEFP estar a privilegiar os desempregados subsidiados na formação profissional, sendo esse o critério primordial de participação em detrimento da idade, tempo de inscrição, habilitações ou necessidade de melhorar competências, está não só a retirar desempregados das estatísticas do desemprego, como a passar para o FSE despesas que são do orçamento da segurança social, o que é inaceitável.
 

Vídeo de apelo à participação na Greve Geral... Todos juntos.

Todos juntos na Greve Geral de 27 de Junho de 2013, porque depois, pode ser tarde demais.

25 junho 2013

O APOIO DE MANUEL ALEGRE À GREVE GERAL


Apoio à greve geral

"Apoio a Greve Geral, contra a austeridade, pelos direitos dos trabalhadores e reformados, pela defesa da Constituição, por um Portugal mais justo e solidário."

Manuel Alegre

23 junho 2013

Sondagem sobre a actuação do Governo de direita PSD/CDS... votem

A poucos meses das eleições autárquicas, com o governo do PSD/CDS a destruir o Estado Social, a não por cobro ao aumento do desemprego, a não ter políticas que coloquem Portugal a crescer, é altura de sabermos como se olha para o governo e que opinião se tem sobre o seu desempenho.

Vota na sondagem....

Santos populares em Marvão

O Centro Cultural de Marvão vai organizar os festejos dos santos populares em Marvão, nomeadamente a noite do São João que hoje decorre e o São Pedro no dia 28 de Junho.

Apareçam e contribuam para a animação dos festejos. Vamos saltar a fogueira.

22 junho 2013

Apresentação do livro “Roteiros da Memória Urbana de Setúbal – Marcas deixadas por libertários e afins ao longo do século XX"

No lançamento do livro Roteiros da Memória Urbana de Setúbal – o roteiro dos espaços, dos homens e das organizações sindicalistas revolucionárias e anarquistas em Setúbal “ de João Freire e M. Alexandre Lousada (Lisboa, Colibri / MOSCA, 2013), a decorrer na Casa da Cultura de Setúbal (Rua Detrás da Guarda)

A apresentação será feita por Albérico Afonso, Luísa Tiago de Oliveira e Paulo Eduardo Guimarães, seguindo-se um debate.

Encontro de solidariedade para com os trabalhadores e povo de Cuba.

Está a decorrer, no auditório da Escola Bento Jesus Caraça em Lisboa, um encontro de solidariedade para com os trabalhadores e povo de Cuba. 

Encontro organizado pela CGTP-IN em que o principal orador é Raymundo Navarro, Secretário Internacional da CTC - Central Trabalhadores Cuba.

Reunião com CTC - Central Trabalhadores Cuba

Hoje pela manhã recebemos na CGTP-IN, Raymundo Navarro, Secretário Internacional da CTC - Central Trabalhadores Cuba que nos deu a conhecer a realidade da sua organização sindical, dos trabalhadores e do povo em Cuba. 

Raymundo Navarro (ao centro)

21 junho 2013

Seminário do Instituto Sindical Europeu (ETUI - European Trade Union Institute) sobre Riscos Psicossociais

Está quase a terminar o 1.º Seminário do Instituto Sindical Europeu (ETUI - European Trade Union Institute) sobre Riscos Psicossociais, que tem decorrido em Bilbao, Euskadi (Espanha).

Objectivos:
Conhecer as realidades dos vários países presentes na identificação e prevenção dos factores causadores dos riscos psicossociais, as estratégias sindicais existentes e como podemos a nível nacional e europeu construir as melhores respostas para combater os riscos psicossociais nos locais de trabalho.

A nível sindical, em Portugal, há todo um trabalho a desenvolver nesta área que é preciso colocar em marcha, com base nas experiências dos vários países, adaptando à nossa realidade e à nossa legislação.

08 junho 2013

Caminhada por Monsanto...

Neste meu Percurso(s) contra os diabetes, por uma vida mais saudável, sábado foi a vez de explorar o Parque Florestal de Monsanto por onde andei pela primeira vez... um local agradável para passear, caminhar ou correr, aproveitando o circuito de manutenção que ali existe ou explorando outros trilhos do parque.


04 junho 2013

NA 6.ª CONFERÊNCIA SOBRE IGUALDADE ENTRE MULHERES E HOMENS

Decorreu ao longo do dia a 6.ª Conferência sobre Igualdade entre Mulheres e Homens, onde para além do plano de acção para 2013/2017, se discutiu a carta reivindicativa imediata e a resolução sobre a acção sindical integrada para a área da igualdade.

Na Cinderela Fresh

Na Cinderela Fresh, sempre com a simpatia e o excelente serviço, para um almoço muito saudável.

03 junho 2013

Um insulto, Por Manuel Carvalho da Silva no Jornal de Notícias


Por Manuel Carvalho da Silva
Jornal de Notícias
01 de Junho de 2013

"Vi e revi o programa da Rádio Televisão Portuguesa (RTP) “Sexta às 9”, emitido no passado dia 24 e senti-me indignado. Nele foi apresentada uma pretensa investigação sobre o sindicalismo na Administração Pública (AP) que, com tristeza, classifico de insulto ao sindicalismo e à democracia.

Tenho plena consciência do indispensável papel daquele canal público de televisão. A RTP vive tempos difíceis, sob fortes ataques e perante complexos desafios que merecem atos de solidariedade de todos os que defendem o regime democrático. Mas nem estes factos, nem o respeito profundo que tenho pelos seus jornalistas e outros profissionais me desviam da acusação àquele programa.

A dado passo e depois de referências a lutas sindicais em curso, designadamente a uma possível “paralisação geral da AP”, afirmou-se: “no meio deste turbilhão contestatário, há uma realidade que nunca tinha sido investigada”. Vê-se o programa e o que se descobre? A repetição, pela enésima vez, de que há dirigentes sindicais a mais na AP. Fazendo a contabilidade do total de dirigentes a tempo inteiro e atribuindo-lhes um salário bruto médio de 1500 euros (será?), concluem que custam “6,5 milhões de euros aos contribuintes”. Este valor é idêntico ao que recebe meia dúzia de gestores de topo de grandes empresas – pessoas com mérito – que se alimentam de negócios chorudos com o Estado.

Enquanto são lançadas dúvidas e suspeições, o programa vai mostrando as caras mais conhecidas do sindicalismo, com destaque significativo para o Secretário-geral da FENPROF (os professores estão num processo de luta necessária mas delicada), e também imagens dos Secretários-gerais da CGTP-IN e da UGT que, por sinal, não são da Administração Pública. No meio do “filme” enxertam depoimentos de alguns dirigentes sindicais que jamais devem ter imaginado o teor acusatório do programa.

Quantas repartições da segurança social, das finanças, da justiça e de tantos outros serviços da AP existem por todo o Continente e Regiões Autónomas? Quantas escolas dos diversos graus de ensino, universidades e politécnicos? Quantos hospitais e centros de saúde?

Existirem 311 dirigentes a tempo inteiro, para todo o nosso espaço territorial, no conjunto total de sindicatos da AP é um exagero? Que disparate! Face à imensidão dos problemas com que os trabalhadores se debatem é fácil concluir que há centenas e centenas de dirigentes e ativistas sindicais que, com sacrifícios para a sua vida e a das suas famílias, completam a atividade daqueles 311.

Os direitos sindicais na AP são iguais aos do setor privado. O que se pretende então? Acabar com o sindicalismo na AP? De facto, no tempo de Salazar, os sindicatos eram pura e simplesmente proibidos.

A democracia tem custos financeiros, mas as sociedades modernas têm assumido que esses custos são compensados pela defesa do valor da liberdade e da dignidade. Que a democracia propicia condições de desenvolvimento de capacidades, do conhecimento, do progresso social e do desenvolvimento humano harmonioso, assente na reprodução de práticas de solidariedade, de participação cívica, de busca efetiva da igualdade.

Nas nossas sociedades, em que o trabalho deve ter um lugar e um valor central, existe algum exemplo de democracia sem a existência de sindicatos?

O percurso feito pelo movimento operário e sindical foi por vezes tortuoso e até trágico, cheio de êxitos e de fracassos, de avanços e de retrocessos, quantas vezes sujeito a ataques, a atos de repressão, a campanhas difamatórias orquestradas. Mas as suas ideias, as suas propostas e ação marcaram o evoluir da humanidade e as grandes transformações sociais e políticas.

Existe um reconhecimento universal, expresso por instituições e destacados atores políticos e sociais de diversas áreas, de que o projeto europeu, nas suas dimensões de progresso, de democracia e bem-estar – o melhor que já foi construído e hoje está a ser destruído – se deveu, em grande parte, à luta dos trabalhadores pelos seus direitos sociais e políticos.


“Tempos de crise” são tempos de muita “malvadez difusa”. É preciso sentido de responsabilidade e mais respeito pelos sacrifícios das gerações que nos antecederam, feitos para que hoje possamos viver uma vida bem melhor que a sua."