24 setembro 2012

A CGTP-IN APRESENTA PROPOSTAS PARA EVITAR SACRIFÍCIOS E A DESTRUIÇÃO DA ECONOMIA



A luta dos trabalhadores e da população obrigou o Governo a recuar nas intenções de alterar a Taxa Social Única (TSU). Contudo, o Governo já está a preparar, com novas roupagens, medidas de austeridade que têm como destinatários os mesmos do costume: os trabalhadores, os reformados e os pensionistas.

A CGTP-IN não aceita qualquer medida que vise a redução dos salários, das pensões e das reformas, num cêntimo que seja!

A CGTP-IN não pactua com a tentativa de colocar a Comissão Permanente da Concertação Social a legitimar estas medidas, e, em geral, a política do Governo do PSD/CDS e do Memorando da Troica, que visa o retrocesso das relações de trabalho, com a alteração da legislação laboral para os sectores público e privado, a redução dos salários e dos rendimentos do trabalho, deixando incólumes os rendimentos do capital, as privatizações, o ataque aos serviços públicos e às funções sociais do Estado (saúde, educação, segurança social).

À exigência de equidade, tal como consagrado na Constituição da República Portuguesa, o Governo tem apresentado medidas que, ao invés de alargar a base contributiva, agravam a situação daqueles que já pagam impostos - os assalariados e os pensionistas. Os efeitos desta política são por de mais conhecidos: redução da procura interna, recessão económica, falências de empresas, desemprego sem precedentes, empobrecimento generalizado da população, quebra das receitas fiscais e aumento da dívida pública, numa espiral que conduz o país a uma crescente dependência externa.

O Memorando da Troica e a política de direita são as causas que impedem a resolução dos problemas do país. A ruptura com esta política de empobrecimento generalizado e a luta por uma mudança que tenha como alicerce o desenvolvimento económico e a promoção do emprego com direitos, o combate às desigualdades e a melhoria das condições de vida da população constituem um imperativo de todos quantos lutam por um Portugal de progresso e justiça social.

A CGTP-IN exorta à participação massiva das mulheres e dos homens trabalhadores, dos jovens, dos desempregados, dos pensionistas e reformados e de outras camadas da população na Grande Jornada de Luta Nacional que se realiza no dia 29 de Setembro, todos a Lisboa, todos ao Terreiro do Paço, contra esta política que amaldiçoa os rendimentos do trabalho e abençoa os do capital.

CGTP-IN apresenta alternativas

A CGTP-IN propõe quatro medidas concretas, destinadas a aumentar as receitas fiscais. Esta Proposta é baseada em três pressupostos essenciais: respeitar o preceito constitucional do princípio da equidade; obter receitas fiscais de modo a conciliar a redução do défice e da dívida pública com o crescimento económico e com a justiça social; rejeitar quaisquer cortes salariais, seja por via do aumento da Taxa Social Única para os trabalhadores, seja por quaisquer outras medidas que incidam sobre os rendimentos do trabalho ou visem penalizar ainda mais as pensões e reformas.

1 – Criação de uma taxa sobre as transacções financeiras

A criação de um novo imposto, com uma taxa de 0,25%, a incidir sobre todas as transacções de valores mobiliários, independentemente do local onde são efectuadas (mercados regulamentados, não regulamentados ou fora de mercado), excepcionando o mercado primário de dívida pública. Esta medida permitirá arrecadar uma receita adicional de 2.038,9 milhões de euros.

Proposta da CGTP-IN

Os mercados financeiros atingiram uma dimensão que coloca em risco toda a economia. A complexidade e as novas formas de negociação reconhecidas nas transacções de valores mobiliários com a transposição da Directiva dos Mercados e Instrumentos Financeiros significam uma maior opacidade e falta de transparência no mercado financeiro[1]. As transacções de valores mobiliários são executadas por um reduzido número de intermediários financeiros, que reportam à CMVM a totalidade de operações efectuadas. 

O desenvolvimento e complexidade dos mercados financeiros, a par da sua opacidade, estão na origem de múltiplas crises e são um constrangimento ao desenvolvimento económico dos países.

A nível europeu, diversos países criaram já taxas sobre as transacções financeiras, nomeadamente a França, sem que daí resultasse uma fuga de capitais.

Assim, a CGTP-IN propõe:

1 – A eliminação dos mercados não regulamentados, nomeadamente os Sistemas de Negociação Multilateral, e das operações realizadas “fora de mercado”;

2 – A criação de um novo imposto, com uma taxa de 0,25%, a incidir sobre todas as transacções de valores mobiliários, tal como definidos no artigo 1.º do Código dos Valores Mobiliários, independentemente do local onde são efectuadas (mercados regulamentados, não regulamentados ou fora de mercado), excepcionando o mercado primário de dívida pública;

3 – Esta taxa deve ser aplicada sobre a execução de ordens por conta de outrem ou conta própria efectuadas pelos intermediários financeiros e ser liquidada no momento em que é efectuada a transacção;

4 – Compete aos intermediários financeiros responsáveis por cada transacção proceder à liquidação do imposto no final de cada mês;

5 – Compete à CMVM organizar e manter a relação de todas as transacções efectuadas pelos intermediários financeiros, em que se incorporam todas as declarações e outros elementos relacionados com cada um deles, e proceder trimestralmente à sua entrega junto da Autoridade Tributária e Aduaneira;

6 – A CMVM, bem como todas as pessoas ou entidades que intervierem directa ou indirectamente nas referidas transacções de valores mobiliários, serão solidariamente responsáveis com os sujeitos passivos pelo pagamento do imposto.

A criação duma pequena taxa (0,25%) permitiria obter um volume elevado de receita, como se mostra a seguir:

     Valor das transacções efectuadas pelos intermediários financeiros (milhões de euros)


Acções
Dívida privada e pública
Outros
Futuros
Opções
Outros derivados
Total
Taxa de 0,25%


2011
53.526,1
362.735,9
104.561,6
279.436,3
2.945,1
12.368,5
815.573,6
2.038,9


2012*
29.788,7
277.369,2
47.808,7
54.496,0
8.365,4
4.059,0
421.887,1
1.054,7


Total
83.314,9
640.105,1
152.370,3
333.932,3
11.310,5
16.427,5
1.237.460,6
3.093,7

 FONTE: CMVM; *valores correspondentes ao 1º semestre, conforme divulgado pela CMVM
  

2 – Introdução de progressividade no IRC

A criação de mais um escalão de 33,33% no IRC para empresas com volume de negócios superior a 12,5 milhões de euros, de forma a introduzir o critério de progressividade no imposto. A incidência deste aumento é inferior a 1% do total das empresas. Esta medida permitirá arrecadar uma receita adicional de 1.099 milhões de euros.

Proposta da CGTP-IN

O IRC incide sobre o lucro das empresas (art. 3.º, n.º 1, al.a) do CIRC[2]), que, por sua vez, consiste na diferença entre os valores do património líquido no fim e no início do período de tributação (art. 3.º, n.º 2) e de onde já estão deduzidos todos os gastos e custos desse período, incluindo os custos com pessoal;

A taxa de imposto em sede de IRC é aplicada sobre a matéria colectável, que, por sua vez, é calculada a partir do lucro tributável, sendo depois descontados os prejuízos e os benefícios fiscais (art. 15.º);

A discrepância entre o rendimento líquido (lucro) das empresas e a sua matéria colectável tem continuadamente aumentado, o que significa que, apesar de os resultados líquidos poderem aumentar, a matéria colectável diminui, bem como a receita fiscal que daí decorre[3];

A progressividade nos impostos, seja quais forem, promove a equidade fiscal e diminui as desigualdades, havendo exemplos, na União Europeia, França e Bélgica, que têm impostos sobre as empresas com diferentes taxas, de acordo com o volume de vendas.

Assim, a CGTP-IN propõe:

1 – Uma taxa de imposto de 33,33%, aplicado às empresas com volume de negócios superior a 12,5 milhões de euros, que incidiria sobre menos 1% das empresas[4];

2 – Apesar da base de incidência ser extremamente reduzida, a medida representaria o aumento da receita fiscal em 1 099 milhões de euros, o que significa o crescimento de 37% relativamente à receita de IRC obtida em 2010, com a taxa única de 25%.

Taxa de Imposto
Escalões do volume de Negócios (euros)
Declarações (N.º)
Matéria Colectável (milhões €)
IRC liquidado (milhões €)
25%
Desconhecido
12.539
58
11
                   <         0
1
0
0
                   =         0
63.616
178
32
[ 1  A  150.000 [
186.685
828
115
[ 150.000  A  500.000 [
74.080
1.034
163
[ 500.000  A  1.000.000 [
23.655
724
130
 [ 1.000.000  A  1.500.000 [
9.699
747
105
[ 1.500.000  A  2.500.000 [
8.729
677
133
 [ 2.500.000  A  5.000.000 [
7.070
1.014
207
[ 5.000.000  A  12.500.000 [
4.569
1.402
350
33,33%
[ 12.500.000  A  25.000.000 [
1.603
1.135
378
[ 25.000.000  A  75.000.000 [
1.153
1.877
626
[ 75.000.000  A  250.000.000 [
360
1.720
573
[ Mais de 250.000.000 [
132
3.756
1252
Total
393.891
15.150
4.076
















FONTE: Autoridade Tributária e Aduaneira, dados de 2010; última coluna, três linhas finais, cálculos CGTP-IN.


3 – Sobretaxa de 10% sobre os dividendos distribuídos

A criação de uma sobretaxa média de 10% sobre os dividendos distribuídos, incidindo sobre os grandes accionistas (de forma a garantir um encaixe adicional de 10% sobre o total de dividendos distribuídos), com a suspensão da norma que permite a dedução constante sobre os lucros distribuídos (art. 51.º do CIRC), o que permite às empresas que distribuem dividendos deduzir na base tributável esses rendimentos, desde que a entidade beneficiária tenha uma participação na sociedade que distribui pelo menos 10% do capital. Esta medida permitirá arrecadar uma receita adicional de 1.665,7 milhões de euros.


Proposta da CGTP-IN

O volume de dividendos distribuídos concentra-se num pequeno número de grandes accionistas, que beneficiam de isenções e recorrem a off-shores ou países com taxas reduzidas, para não cumprirem a sua obrigação de contribuir com impostos para o Orçamento de Estado.

Por esta via, em 2011, foram transferidos para o exterior 5.892 milhões de euros de dividendos, sendo que a maioria não pagou qualquer imposto em Portugal – por exemplo, a Amorim Energia ou a ENI, que têm 33% do capital da GALP. Mas esta isenção não se reduz apenas a dividendos distribuídos para o estrangeiro. Também se aplica a dividendos recebidos por entidades com residência no país. Por exemplo, o BES, que, por ter mais de 10% do capital da PT, também beneficia desta isenção.

De acordo com o INE, os rendimentos distribuídos pelas sociedades têm aumentado de forma significativa e, em 2011, somaram 16.657 milhões de euros. Somente os rendimentos recebidos pelos grandes accionistas gozam desta isenção. Já os pequenos, estão sujeitos a uma taxa de 25%.

Assim, a CGTP-IN propõe:

1 – A suspensão da norma que permite a dedução constante sobre os lucros distribuídos (art. 51.º do CIRC);

2 – A criação de uma sobretaxa que permita arrecadar um montante equivalente a 10% dos dividendos distribuídos;

3 – Esta sobretaxa incidirá sobre os grandes accionistas, não se repercutindo naqueles que auferem dividendos mais baixos.

Un.: milhões euros
2001
2009
2010P
2011P
Rendimentos Distribuídos das Sociedades
7.484,7
16.370,8
17.957,7
16.656,5
Sobretaxa de 10%

1.665,7









  FONTE: INE, Contas Nacionais.


4 – Combate à Fraude e à Evasão Fiscal

A fixação de metas anuais para a redução da economia não registada, com objectivos bem definidos e a adopção de políticas concretas para a sua concretização. Esta medida permitirá arrecadar uma receita adicional de 1.162 milhões de euros.

Proposta da CGTP-IN

Os níveis de fraude e evasão fiscal exigem o combate sério, determinado e mensurável a estes fenómenos, uma vez que corroem a economia e fomentam injustiças.
A economia não registada em Portugal atingiu, em 2011, o nível mais alto de sempre, contabilizando 43 388 milhões de euros, 25,4% do PIB[5], muito acima da média da OCDE (16,4%).

Assim, a CGTP-IN propõe:

1 – A redução da economia não registada para os 22% (redução de 3,4 p.p. relativamente ao registado em 2011), através de um aumento significativo dos meios humanos (inspectores, serviços técnicos especializados) e materiais, e da dinamização da inspecção fiscal, de forma a identificar o planeamento fiscal abusivo.

2 – A alteração do quadro penal e processual, de forma a penalizar a fraude e evasão de grandes contribuintes, e a adopção da factura obrigatória em todo o tipo de transacções e de prestação de serviços, bem como uma maior eficácia dos tribunais fiscais.

3 – A tributação da economia que passa a ser registada permitiria o alargamento da base tributária e uma receita adicional (tendo em conta uma taxa média de imposto de 20%) superior a 1 162 milhões de euros – o suficiente para reduzir o défice público para os 3,45% do PIB[6].

Conclusão


Receita fiscal adicional (milhões de euros)
Criação de uma taxa de 0,25 sobre as transacções financeiras
2.038,9
Criação de um novo escalão na taxa de IRC
1.099,0
Tributação adicional dos dividendos
1.665,7
Combate à Fraude e Evasão Fiscal
1.162,9
Total
5.966,5

















Fonte: CGTP-IN

Este quadro é demonstrativo de que apenas estas medidas seriam suficientes para obter receitas fiscais adicionais de 5 mil e 966,5 milhões de euros, montante superior ao obtido com a brutal redução do poder de compra das famílias e consequente degradação da qualidade de vida de milhões de portugueses.
         
Existem alternativas! As propostas que agora apresentamos não são as únicas que permitem um aumento de receita fiscal, por via da taxação do capital. No quadro da discussão do Orçamento de Estado para 2013, serão apresentadas outras áreas onde é possível e necessário obter mais recursos.


[1] Ver, entre outros documentos, a Resolução do Parlamento Europeu sobre Regulação da negociação de instrumentos financeiros – “dark pools”, etc., (2012/C 169 E/01), Jornal Oficial da União Europeia de 15 de Junho de 2012.
[2] Código do IRC.
[3] Estatísticas da Autoridade Tributária e Aduaneira, dados de 2010.
[4] Estatísticas da Autoridade Tributária e Aduaneira, dados de 2010.
[5] Com base nas conclusões do estudo Índice 2011, A Economia Não Observada em Portugal, divulgado pelo Observatório de Economia e Gestão da Fraude.

[6] Cálculos CGTP-IN, com base nas conclusões do estudo Índice 2011, A Economia Não Observada em Portugal, divulgado pelo Observatório de Economia e Gestão da Fraude.

UGT ENTALADA PELO PRIMEIRO MINISTRO


Hoje na reunião da Comissão Permanente de Concertação Social em que estive presente, ficou claro o que alguns dirigentes da UGT tentaram esconder nos últimos dias.

Por interpelação do Primeiro-Ministro em plena reunião, a UGT e o seu Secretário-Geral foram entalados, quando Passos Coelho deu a entender que a UGT se pronunciou a favor de um corte de meio subsídio, tanto aos trabalhadores do sector privado como do público, para compensar o recuo na Taxa Social Única (TSU).

Um deslize do Primeiro-Ministro à frente da CGTP-IN.... Que chatice!

Afinal, nos últimos dias vieram a público na Comunicação Social as palavras do Secretário-Geral da UGT em que se podia ler: "com João Proença a sublinhar, no final da reunião, que o "que está em causa" é apenas encontrar uma alternativa de receita que compense a subida de despesa inerente à decisão do TC. Neste sentido, exemplificou que, "matematicamente falando," é possível fazer esta compensação retirando meio salário a todos os trabalhadores"

Quem diz isto sabe o que diz e o que significa. Transmitiu ao governo a ideia: cortem lá meio salário a todos que nós aceitamos e ficamos calados...

Que raio de sindicalismo é este que não defende os direitos dos trabalhadores?

A roubalheira continua...

Estamos na reunião da Comissão Permanente de Concertação Social. Trabalhadores, Portugueses, preparem-se que a roubalheira nos salários ou nos impostos vai continuar. O roubo continua com nova roupagem para que o Povo não se revolte. É preciso acabar com esta política e este governo antes que este governo e esta política acabem com o país.

22 setembro 2012

Vigília protesto junto ao Palácio de Belém

Vigília de protesto junto ao Palácio de Belém por ocasião da reunião do Conselho de Estado onde se debateu a situação política e onde o Governo recuou sobre o aumento da TSU - Taxa Social Única para os trabalhadores e a diminuição para as empresas, fruto da luta dos trabalhadores e da população Portuguesa que saíram à rua nas grandes manifestações de 15 de Setembro de 2012.


GAMAR COM STYLE


MESMO A PROPÓSITO DA ROUBALHEIRA QUE ESTE GOVERNO NOS ESTÁ A FAZER.

BORA LÁ VER E OUVIR...


16 setembro 2012

CGTP-IN na manifestação "Que se Lixe a Troika, Queremos as nossas vidas


O Secretário-Geral da CGTP-IN na grande manifestação "Que se Lixe a Troika, Queremos as nossas vidas" realizada em Lisboa a 15 de Setembro de 2012.


14 setembro 2012

Porque este tempo não é para ficar em casa


Portugal enfrenta a mais grave crise económica e social verificada depois da Revolução de Abril. O momento que hoje estamos a viver e as perspectivas que o Governo do PSD/CDS aponta para o futuro imediato, têm consequências trágicas para o país e dramáticas para a vida dos portugueses: desemprego brutal; profunda e destruidora recessão económica; empobrecimento generalizado; regressão drástica das condições de vida das classes e camadas populares; aumento das injustiças e desigualdades; alastramento das situações de pobreza e exclusão social, uma cada vez maior dependência do país face ao capital estrangeiro.

Por tudo isto, este não é tempo de ficar em casa.... de deixar a luta para os outros. É um tempo para todos e todas intervirmos e tomarmos nas nossas mãos, o nosso futuro.

Por uma cidadania mais activa...


12 setembro 2012

Aconteceu na Islândia: Uma lição a ter em conta...


A negativa do povo da Islândia a pagar a dívida que as elites abastadas tinham adquirido com a Grã Bretanha e a Holanda gerou muito medo no seio da União Europeia. Prova deste temor foi o absoluto silêncio na mídia sobre o que aconteceu.

Nesta pequena nação de 320.000 habitantes a voz da classe política burguesa tem sido substituída pela do povo indignado perante tanto abuso de poder e roubo do dinheiro da classe trabalhadora. O mais admirável é que esta guinada na política sócio-económica islandesa aconteceu de um jeito pacífico e irrevogável. 

Uma autêntica revolução contra o poder que conduziu tantos outros países maiores até a crise atual. 


Este processo de democratização da vida política que já dura dois anos é um claro exemplo de como é possível que o povo não pague a crise gerada pelos ricos.


10 setembro 2012

Viagem a Malta

Algumas fotos de Malta tiradas por ocasião da Conferência anual sobre a nova estratégia europeia para a segurança e saúde no trabalho, organizada pelo Instituto Sindical Europeu (ETUI), que se realizou de 6 a 8 de Setembro de 2012.


Fernando Gomes

Fernando Gomes

07 setembro 2012

Conferência Anual Sobre a Nova Estratégia Europeia Para a Segurança e Saúde No Trabalho


Está a decorrer em Malta, entre 6 e 8 de Setembro, a Conferência anual sobre a nova estratégia europeia para a segurança e saúde no trabalho, organizada pelo Instituto Sindical Europeu (ETUI). Estou a representar a CGTP-IN como membro do Secretariado e da Comissão Executiva do Conselho Nacional, responsável pelo departamento de segurança e saúde no trabalho.


Nesta Conferência, que conta com a participação de representantes dos trabalhadores de 23 países, discute-se a nova estratégia para a segurança e saúde no trabalho, a necessidade de combater os cortes orçamentais que as Agências Europeias estão a ter, em função da reorganização que a Comissão Europeia está a implementar e a importância da gestão tripartida das Agências, que tem como objectivo a melhoria das condições vida dos trabalhadores Europeus.


Na minha intervenção, defendi a continuidade da gestão tripartida da Agência Europeia para a Segurança e Saúde no Trabalho, a continuidade na Direcção de todos os países da UE e dei conta do ataque que o Governo português está a fazer aos direitos dos trabalhadores, nomeadamente, através da redução da capacidade de intervenção da Autoridade para as Condições de Trabalho (ACT).

04 setembro 2012

Festas em Honra de Nossa Senhora da Estrela em Marvão


Estão de volta as Grandes Festas de Marvão. As Festas em Honra de Nossa Senhora da Estrela, padroeira do Concelho de Marvão, vão ser levadas a cabo pela recém-criada Comissão de Festas de Marvão, composta pela Câmara Municipal de Marvão, Centro Cultural de Marvão, Junta de Freguesia de Santa Maria de Marvão, Maruam – Associação de Jovens e Santa Casa da Misericórdia de Marvão. Os três dias de festa , 7, 8 e 9 de Setembro  serão uma oportunidade de disfrutar de um grande cartaz musical em Marvão, acompanhado de momentos de tradição, gastronomia e mostra de artesanato.

Do cartaz há a destacar, na sexta-feira dia 7, de Setembro um espectáculo tauromáquico com a presença do Matador Luís Vital Procuna, um concerto com os desconcertantes Voodoo Marmalade e a fechar a noite o DJ Diogo Cruz.

No sábado dia 8, tem lugar o dia religioso mas que conta com a actuação da actriz/intérprete Teresa Macedo.

O último dia, domingo 9, começa com um “assalto” de paintball ao Castelo de Marvão e termina com uma tradicional Garraiada no Largo de Santa Maria. Em três dias, os ingredientes certos para visitar a Vila mais alta de Portugal.

Convide a Família e venha saborear as sugestões Gastronómicas que preparamos para si! Faça a refeição na Festa e disfrute de um lugar privilegiado para assistir aos espetáculos.

Visite Marvão em FESTA!


02 agosto 2012

MARCHA CONTRA O DESEMPREGO



A CGTP-IN vai promover uma Marcha Contra o Desemprego entre os dias 5 e 13 de Outubro. Esta iniciativa de âmbito nacional terá o seu início em Braga e Faro, simultaneamente,  e terminará em Lisboa.


É uma acção que envolverá os desempregados, os jovens à procura do primeiro emprego, os trabalhadores que perderam os postos de trabalho devido ao encerramento das empresas e que continuam há anos a aguardar o pagamento dos créditos que lhes são devidos (salários em atraso e indemnizações); os que se encontram com salários em atraso e sujeitos ao lay-off; os das empresas em perigo de e encerramento. 

O desemprego é um flagelo que afecta uma grande parte das famílias. Mais do que constatar é preciso agir. Identificando os problemas, apresentando soluções, mobilizando os desempregados.


O desemprego é um flagelo que afecta uma grande parte das famílias. Mais do que constatar é preciso agir. Identificando os problemas, apresentado soluções, mobilizando os desempregados.

Neste sentido a CGTPIN vai promover uma Marcha contra o desemprego entre os dias 5 e 13 de Outubro. Esta iniciativa de âmbito nacional terá o seu início em Braga e em Faro e terminará em Lisboa.

É uma acção que envolverá os desempregados, os jovens à procura do primeiro emprego, os trabalhadores que perderam os postos de trabalho devido ao encerramento das empresas e que continuam há anos a aguardar o pagamento dos créditos que lhes são devidos (salários em atraso e indemnizações); os que se encontram com salários em atraso e sujeitos ao lay-off; os das empresas em perigo de encerramento.

Sendo uma acção aberta a todos os que nela queiram participar, a CGTPIN irá estabelecer no plano regional um conjunto de contactos com diversas entidades no sentido de apoiarem e se solidarizarem com esta marcha que também tem como objectivo que o direito ao trabalho e ao trabalho com direitos seja assegurado a todos quantos trabalham e vivem em Portugal.
O desemprego inibe a criação de riqueza e fomenta a pobreza.

O memorando da Troica e a política do Governo do PSD-CDS estão a trucidar o emprego, a banalizar os despedimentos e a precariedade, a fomentar o desemprego, a reduzir os salários e a protecção social, a aumentar as desigualdades e a generalizar a pobreza. Em 2012 serão destruídos mais de 200 mil postos de trabalho, situação que deve continuar em 2013, caso não se invertam as políticas em curso. Previsões do FMI apontam para alguma recuperação a partir de 2014 (incerta e pouco credível), mas mesmo a verificarem-se o nível de emprego em 2017 será inferior ao de 2011, ano em que o nosso país começou a ser submetido a uma denominada terapia de choque da Troica e do Governo PSD/CDS.

A taxa de desemprego deverá atingir os 15,5% no conjunto do ano de 2012 e os 15,9% em 2013. Isto significa que o número oficial de desempregados passará de 706 mil em 2011 para 881 mil em 2013. De acordo com estas previsões, em 2017, a taxa de desemprego (de 13,7%) não terá ainda descido sequer para o nível de 2009 (9,5%). Estamos perante um aumento brutal do desemprego estrutural para os próximos anos com a agravante de se acentuar a exclusão social, face ao aumento do número de desempregados sem qualquer protecção social.

A taxa real de desemprego (considerando os inactivos e os que estão em subemprego) ultrapassa os 20% abrangendo mais de 1,2 milhões trabalhadores desempregados. O desemprego de longa duração está a aumentar, assim como 45% dos desempregados são menores de 35 anos.

A situação dos jovens tornou-se dramática, nomeadamente entre os que têm menos de 25 anos, cuja taxa de desemprego em Maio era de 36,4% quando um ano antes se situava nos 29,4%.

Os jovens estão também mais sujeitos à precariedade dos vínculos laborais. Se 1/5 dos trabalhadores em geral têm contratos não permanentes, entre os menores de 25 anos são 56% e cerca de 30% entre os jovens dos 25 aos 34 anos.

Em consequência, muitos trabalhadores, particularmente os mais jovens, estão a emigrar. Só no 1º trimestre de 2012 terão saído do país cerca de 40 mil jovens entre os 25 e os 34 anos. Esta é uma política que está a pôr em causa o presente e a comprometer o futuro.

É preciso dinamizar o sector produtivo e o mercado interno.

A destruição de postos de trabalho e o aumento do desemprego devem-se ao declínio da economia, situação que se está a aprofundar com as políticas deste governo e da Troika. Segundo o FMI, o PIB deverá ter uma quebra de 3% em 2012 em termos reais, depois da queda de 1,6% em 2011 e de 2,9% em 2009. Para 2013 o FMI prevê um ligeiro aumento de 0,2% mas outras instituições, como o Banco de Portugal, prevêem uma estagnação em 2013. Aliás, todas as previsões a partir de 2014, e mesmo 2013, são muito pouco fiáveis e sustentadas. A recessão é de tal ordem que em 2012 o PIB será inferior ao de 2002.

Esta situação desastrosa deve-se em, primeiro lugar, à redução do consumo privado, cuja quebra em termos reais atingirá os 6% em 2012, e que tem como causas a diminuição dos salários (com destaque para a Administração Pública), as baixas pensões e o aumento do custo de vida. O investimento, com uma quebra de 12,2% em 2012, é o outro grande factor explicativo, e tem influência na destruição do aparelho produtivo do país.

Estamos neste momento perante uma política de abaixamento deliberado dos salários. De acordo com o FMI, em 2011, 2012 e 2013 há mesmo uma quebra nominal nas remunerações por trabalhador. Comparando com a evolução da produtividade apenas em 2009 a evolução das remunerações reais fica acima da evolução da produtividade. Isto significa que, com excepção de 2009, o trabalho perde peso no PIB face ao capital.

Os custos do trabalho/hora em Portugal são dos mais baixos da União Europeia e têm vindo a diminuir em relação à média (43,8% da média da Zona Euro em 2011 e 52,4% da União Europeia). São também substancialmente mais baixos do que na França, Alemanha ou Espanha e também têm diminuído em relação a estes países.

Já as exportações, embora em crescimento, estão em desaceleração (sendo um indicador dependente da situação internacional e dos riscos associados, nomeadamente na Zona Euro e em particular na Espanha) e não compensam o declínio da procura interna.

Mudar de politica para criar mais e melhor emprego

A criação de emprego depende fundamentalmente do crescimento económico, sendo necessário em primeiro lugar dar resposta a este problema. Não basta anunciar programas pontuais e avulsos dirigidos à criação de emprego. São fundamentais políticas macroeconómicas que fomentem o crescimento e o desenvolvimento económico, assegurem o aumento do PIB, o fomento do emprego e o combate à precariedade, bem como o apoio às pequenas e médias empresas.

Daqui decorre a exigência da renegociação da dívida (prazos, juros e montantes) para assegurar o crescimento económico como condição para a diminuição do défice público. O prazo para a redução do défice público deve ser alargado, para que se implemente outra política de crescimento e coesão social de forma a garantir a consolidação orçamental.

Para CGTP-IN é ainda necessário assegurar que não se alienem instrumentos de política económica, aumentando e reforçando o Sector Empresarial do Estado.

E no quadro do respeito pela Constituição da República Portuguesa é fundamental a revogação das normas do Código de Trabalho que fragilizam a contratação colectiva, provocam o aumento da precariedade e potenciam o desemprego, nomeadamente os novos regimes de bancos de horas, a redução do pagamento do trabalho suplementar, as novas formas de despedimento, e em geral todas as normas que aumentam o tempo de trabalho.

10 MEDIDAS PARA COMBATER O DESEMPREGO

Neste sentido a CGTP-IN apresenta as seguintes medidas urgentes:

1. Aplicar um Programa de Desenvolvimento dirigido à Revitalização do Tecido Produtivo, com o envolvimento e mobilização da sociedade e dos trabalhadores em particular, tendo como objectivos centrais o reforço das exportações e a substituição das importações por produção nacional, de forma a equilibrar a balança comercial e diminuir a dependência externa. O plano deverá incidir nos sectores primário (agricultura, pescas, diversos subsectores do mar, sector mineiro …), na indústria, com a reindustrialização do país e nos serviços transaccionáveis, devendo o QREN ser reprogramado com este objectivo. Devem ser encaradas medidas temporárias de protecção à produção nacional defendendo-a da concorrência externa com fundamento na situação excepcional do país.

2. Dinamizar a procura interna através do consumo o que passa pela melhoria de salários, incluindo o salário mínimo nacional, e das prestações sociais

3. Implementar políticas que assegurem o cumprimento do princípio constitucional do direito ao trabalho e ao trabalho com direitos, promovam o pleno emprego e combatam o desemprego. Para o efeito o horário de trabalho deve ser reduzido progressivamente para as 35 horas semanais, sem adaptabilidade e sem redução de salário.

4. Aplicar programas de gestão preventiva, que evitem os despedimentos ou a redução de efectivos em empresas em reestruturação ou que apresentem riscos de perdas de emprego.

5. Revogar, na legislação do trabalho, a discriminação relativa à contratação de jovens (e desempregados de longa duração), ao permitir a sua contratação a termo em qualquer situação, incluindo para preenchimento de postos de trabalho permanentes

6. Reforçar a fiscalização e limitar os contratos de trabalho de duração determinada a necessidades temporárias de trabalho (tanto no sector privado como no sector público). Passar a efectivos de todos os trabalhadores que exercem funções de carácter permanente; Regularizar os falsos recibos verdes, o que implica fiscalização reforçada das situações de falsos recibos verdes, tendo em conta a presunção do art.º 12º do Código do Trabalho.

7. Abandonar a intenção de reduzir o número de trabalhadores na Administração Pública e desbloqueamento das contratações de pessoal, garantindo que o número de trabalhadores é o adequado face às necessidades e ao bom funcionamento dos serviços públicos. Cumprimento da legislação do trabalho da Administração Pública no sentido de impedir a contratação ou subcontratação de trabalhadores por valores inferiores aos fixados no sector.

8. Prolongar o subsídio social de desemprego a todos os desempregados sem protecção social enquanto durar a crise e revogação de todas as medidas na área da protecção social que têm como objectivo o abaixamento de salários (redução do subsídio de desemprego após 6 meses de atribuição, redução do tempo de atribuição, acumulação do subsídio com empregos de baixos salários, trabalho “voluntário” obrigatório e gratuito dos beneficiários do RSI).

9. Reforçar o papel dos centros de emprego na captação de ofertas de emprego, assegurando ao mesmo tempo a qualidade e o respeito pelas normas legais e contratuais, incluindo salários. Rever as medidas activas de emprego, garantindo que apenas se apoiam postos de trabalho permanentes, privilegiando as que se dirigem a integrar trabalhadores em empresas que produzem com o objectivo de substituir importações.

10. Criar um imposto extraordinário que desincentive a distribuição de dividendos por parte das empresas e a transferência de mais valias para o exterior, incentivando a recapitalização das empresas e a criação de emprego permanente.